sábado, 2 de fevereiro de 2013

Carta Mensal - Fevereiro de 2013


Tournay, 28 de janeiro de 2013.

A vocês todos EM BUSCA DA PAZ,

                        Paz!

No dia 12 de fevereiro próximo, será celebrada a Jornada Mundial pelas Crianças Soldado, lembrando o aniversário da entrada em vigor, em de fevereiro de 2002, do Protocolo Facultativo à Convenção dos Direitos da Criança, ratificado por cerca de 130 países, proibindo o recrutamento forçado e a utilisação de menores de  18 anos em conflitos armados.

  Entretanto, existem ainda cerca de 250 mil crianças associadas às forças e aos grupos armados, atuando como soldados, cozinheiros, mensageiros ou mesmo para fins sexuais, seja em grupos armados, mas também em exércitos governamentais. Mais de cinquenta organizações continuam a recrutar crianças-soldado nos seguintes países: Afeganistão, Chade, Colômbia, Filipinas, Iêmen, Índia, Iraque, Israel e territórios ocupados, Nepal, Paquistão, Republica Centro-Africana, Republica Democrática  do Congo,  Sri-Lanka, Somália, Sudão, Uganda e Tailândia. Muitos deles são recrutados contra sua vontade e não podem mais deixar suas   unidades. A maioria deles tem idade entre 15 a 18 anos, mas  há casos de recrutamento de crianças de 9 anos.

As mobilizações em curso propõem :

a)      A proibição de qualquer tipo de recrutamento de menores de 18 anos em forças armadas, mesmo voluntário, não importando a função, ainda que não portem armas;

b)      A proibição de qualquer tipo de propaganda de recrutamento militar de menores de 18 anos;

c)      A liberação de menores de exércitos e grupos armados, os quais devem ser apoiados pela sociedade civil;

d)     A penalização de estados, grupos armados e indivíduos que recrutam menores de 18 anos, por uma Corte Penal, nacional ou internacional; e a adoção de sanções (econômicas, bloqueio de contas, etc.) pela comunidade internacional e pelo Conselho de Segurança da ONU;

e)      Proteção, assistência e apoio para esses menores, com direito a um tratamento médico e psicológico, além de acesso ao sistema educativo e professional;

f)       Concessão de asilo politico aos refugiados ;

g)      Aumento dos fundos para os programas de prevenção e de reintegração ; 

h)      Bloqueio da exportação de armas às regiões de conflito conhecidas pela existência de crianças-soldado.  

Para que estas propostas sejam concretizadas, rezemos assim:

Ó Deus, mãe dos pequeninos, dirige o teu olhar de compaixão e ternura para as crianças a quem o mundo roubou a infância e as utilisa como soldados. Vem logo em nosso socorro! Ensina-nos a acolher os pequeninos, como fez teu filho Jesus, e a respeitar e promover seus direitos. Assim nossa terra viverá em paz e da boca dos peaueninos brotará um canto de louvor a teu nome! (Cf. Sl 8,3). Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Com amizade,
D. Irineu Rezende Guimarães
monge beneditino, prior da Abadia Nossa Senhora, Tournay, França

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Carta Mensal - Janeiro de 2013



Tournay, 20 de dezembro de 2012.
A vocês todos EM BUSCA DA PAZ,
                        Paz!
O Papa Bento XVI escolheu como tema para este 1º de janeiro de 2013, Dia Mundial da Paz, “Bem-aventurados os obreiros da paz” (Mt 5,9). Assim quero convidar vocês a rezar para que estas palavras do Cristo se concretizem em cada um de nós, em todos os seguidores do Cristo, em todos que buscam a Deus, e em todos os homens e mulheres de boa-vontade.
Mesmo em meio às tensões que vivemos, o Papa recorda as “as inúmeras obras de paz” que “testemunham a vocação natural da humanidade à paz”: “Em cada pessoa, o desejo de paz é uma aspiração essencial e coincide, de certo modo, com o anelo por uma vida humana plena, feliz e bem sucedida” (nº 1). Meditando a bem-aventurança de Jesus, Bento XVI conclui “que a paz é, simultaneamente, dom messiânico e obra humana” (nº 2). De um lado, “a paz implica principalmente a construção duma convivência humana baseada na verdade, na liberdade, no amor e na justiça. (...) Sem a verdade sobre o homem, inscrita pelo Criador no seu coração, a liberdade e o amor depreciam-se, a justiça perde a base para o seu exercício” (nº 3). Ao mesmo tempo, “para nos tornarmos autênticos obreiros da paz, são fundamentais a atenção à dimensão transcendente e o diálogo constante com Deus, Pai misericordioso, pelo qual se implora a redenção que nos foi conquistada pelo seu Filho Unigénito” (nº 3). O Papa sinaliza três canteiros de ação para os obreiros da paz, no atual momento da humanidade. Em primeiro lugar, a promoção da vida em todas as suas dimensões: “A vida em plenitude é o ápice da paz. Quem deseja a paz não pode tolerar atentados e crimes contra a vida” (nº 4). Em segundo lugar, a construção do bem da paz através de um novomodelo de desenvolvimento e de economia (nº 5). Em terceiro lugar, Bento XVI evoca a educação para uma cultura de paz, ressaltando o papel da família, das comunidades cristãs e também das instituições culturais, escolásticas e universitárias (nº 6). Finalmente, Bento XVI realça a importância de desenvolvemos uma pedagogia da paz, para “ensinar os homens a amarem-se e educarem-se para a paz, a viverem mais de benevolência que de mera tolerância”. Para isso, “é preciso renunciar à paz falsa, que prometem os ídolos deste mundo, e aos perigos que a acompanham; refiro-me à paz que torna as consciências cada vez mais insensíveis, que leva a fechar-se em si mesmo, a uma existência atrofiada vivida na indiferença. Ao contrário, a pedagogia da paz implica serviço, compaixão, solidariedade, coragem e perseverança” (nº 7) (Ver o texto na íntegra em http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20121208_xlvi-world-day-peace_po.html).
Para que a estas reflexões do Papa Bento XVI sejam acolhidas por todos, rezemos assim, utilisando as suas palavras:

Ó Deus de ternura, teu Filho Jesus proclamou felizes os obreiros da paz (Mt 5,9). Faze de nós, seus discípulos, “instrumentos da sua paz, a fim de levar o seu amor onde há ódio, o seu perdão onde há ofensa, a verdadeira fé onde há dúvida”. Ilumina “os responsáveis dos povos para que, junto com a solicitude pelo justo bem-estar dos próprios concidadãos, garantam e defendam o dom precioso da paz”. Inflama “a vontade de todos para superarem as barreiras que dividem, reforçarem os vínculos da caridade mútua, compreenderem os outros e perdoarem aos que lhes tiverem feito injúrias, de tal modo que, em virtude da sua acção, todos os povos da terra se tornem irmãos e floresça neles e reine para sempre a tão suspirada paz” (7). Amém.
Com os votos de um ano novo abençoado!
D. Irineu Rezende Guimarães
monge beneditino, prior da Abadia Nossa Senhora, Tournay, França

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Carta Mensal - Dezembro de 2012

Tournay, 30 de novembro de 2012.

A vocês todos EM BUSCA DA PAZ,
                        Paz!
As manifestações recentes de violência ocorridas entre as forças israelenses e grupos palestinos nos convidam, mais uma vez, a rezar, neste mês de dezembro, pela paz na terra onde Jesus nasceu. Mesmo que um cessar-fogo se impôs, todos reconhecemos a necessidade de uma solução mais duradoura para este conflito que traz sofrimentos sem conta para estes dois povos.
A atual situação bem mostra os impasses do processo de paz. Enquanto Israel prossegue suas atividades de colonização nos terrritórios ocupados, as várias facções palestinas permanecem divididas, sem que nenhum progressos significativo nas negociações: israelenses e palestinos não realizam conversações de paz desde setembro 2010. Os palestinos recusam sentar na mesa enquanto a colonização prossegue. A aceitação pela ONU da Palestina como estado observador não membro, no dia 29 de novembro p. p., suscitou o anúncio, por parte de Israel, de três mil novas habitações. Os dois campos se contentaram com palavras sem concretizar, portanto, atos concretos em favor de um diálogo construtivo. A fragilização dos processos de paz deixa livre o campo aos partidários da violência, como efetivamente aconteceu nos últimos tempos. No entanto, uma solução em nível militar ou por enfrentamento de forças não contribui em nada para a resolução do conflito. Somente pela justiça, o respeitos dos direitos humanos, o diálogo e o respeito dos acordos internacionais poderá construir uma paz duradoura e estável.
Em nível internacional, algumas iniciativas merecem ser em assinaladas. Em 2002, foi constituído um grupo conhecido como “Quarteto”, composto pelos Estados Unidos, Rússia, União Européia e ONU, que se propõe como mediador. Em 2003, a Iniciativa de Genebra reuniu lideranças expressivas os dois lados. As alternativas sugeridas seguem a lógica “dois estados, dois povos”, com a partilha da soberania de Jerusalém, capital dos dois estados. Em nível local, existem vários grupos e atores que encontraram caminhos de uma convivência pacífica, como por exemplo iniciativas na área educacional ou dos movimentos de mulheres. Importantes são os movimento de desobediência civil, tanto entre israelenses como palestinos, que se recusam a participar de ações armadas ou violentas. De cada lado, existem movimentos organizados, mas também lideranças comunitárias, que têm optados por soluções pacíficas, inclusive fazendo saber às suas lideranças políticas de suas reivindicações. Sem dúvida nenhuma, a paz passa também pelo fortalecimento destas iniciativas locais e internacionais. A solução deste conflito que dura 65 anos será significativo não somente para os dois povos envolvidos, mas para toda a humanidade.
Para que a paz se concretize na terra onde Jesus nasceu, rezemos assim:

Ó Deus de ternura, que desejas  que teu povo habite um oásis de paz (Cf. Is 32,18), olha para a terra onde teu filho Jesus nasceu. Que os dois povos que lá habitam, israelenses e palestinos, possam encontrar caminhos de uma convivência pacífica, compartilhando a mesma terra, como dois Estados autônomos e respeitosos um do outro. Fortalece todas as pessoas e grupos que manifestam disposição ao diálogo e desarma os que ainda acreditam numa solução baseada nas arma. E que a paz prevaleça na terra! Amém.   
Com amizade,
 D. Irineu Rezende Guimarães
monge beneditino, prior da Abadia Nossa Senhora, Tournay, França

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Carta Mensal - Novembro de 2012

Tournay, 30 de outubro de 2012.

            A vocês todos EM BUSCA DA PAZ,
                        Paz!
            Um ano se passou desde o 27 de outubro de 2012, quando o Papa Bento XVI reuniu líderes religiosos do mundo inteiro, numa grande jornada de reflexão, de diálogo e de oração para a paz e a justiça no mundo. Relembrando este acontecimento, convido vocês a retomar esta intenção de rezar para que as religiões, todas as religiões, sejam fiéis a esta sua vocação de promover a paz.
Se como toda instituição humana, as religiões também são tocadas pela violência, este fato não nos diz tudo da história das religiões. É necessário reconhecer que as religiões muito contribuíram para o processo de socialização e de humanização. Como alguns nos recordam, elas são o «jardim da cultura da paz» e nos trazem «um capital de valores pacíficos». Mesmo as críticas que fazemos às religiões sobre eventuais falhas, se situam à partir dos valores que elas nos legaram. Faríamos uma caricatura do religioso se esquecêssemos tudo que as religiões fazem pela paz e para transformar a violência do mundo.
Podemos encontrar em todas as tradições religiosas uma série de ensinamentos e práticas não-violentas, que constituem o fundamento de nossa compreensão de justiça e de paz. Primeiramente, elas ensinam a humanidade uma profunda reverência pela vida e o desejo de evitar o mal, quando afirmam « tu não matarás! Tu não farás mal a ninguém !». Elas também nos dizem: « tu não roubarás! Tudo aquilo que queres que os homens te façam, faze tu a eles! », nos propondo assim um ideal de harmonia social e de vida pacífica com nossos semelhantes. Elas nos incitam a viver na veracidade, a falar a verdade e a agir de boa fé, quando nos recordam «tu não mentirás!». Finalmente, elas nos dão um quadro para «respeitar e amar uns aos outros», encorajando-nos ao dom de si e à solidariedade, sobretudo em relação àqueles que mais necessitam.
Este tesouro não-violento das religiões é guardado, como nos lembra São Paulo, em vasos de argila ! (Cf. 2 Co 4,7). As religiões nos recordam nossa ambivalência e ambiguidade, mas também nossas potencialidades e possibilidades, podendo nos mostrar o pior, mas também o melhor da humanidade !
O teólogo suíço Hans Küng nos adverte que não haverá paz no mundo sem paz entre as religiões. O papa João Paulo II, na mesma linha, propunha aos crentes de todos os credos se unirem na construção da paz. Para que isto se concretize, rezemos assim:

            Ó Deus de ternura, tu colocaste no coração da humanidade o desejo profundo da paz e lhes destes todas condições para concretizá-la. Assim, teu nome é glorificado quando a paz e a justiça são promovidas! Concede aos crentes e lideranças de todas as tradições religiosas de permanecerem fiéis a esta vocação pacífica e de trabalharem juntas para que haja paz na terra. A Ti, louvor e glória para sempre!
            Com amizade, 
D. Irineu Rezende Guimarães
monge beneditino, prior da Abadia Nossa Senhora, Tournay, França

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Carta Mensal - Outubro de 2012

Tournay, 25 de setembro de 2012.

            A vocês todos EM BUSCA DA PAZ,
                        Paz!
            No próximo dia 8 de outubro, em Oslo, Noruega, começarão os diálogos de paz entre o governo colombiano e as guerrilhas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Com a ajuda de países como Venezuela, Noruega e Cuba, uma nova etapa se abrirá, decisiva para o povo colombiano. Convido todos vocês a sustentar com nossas preces este processo importante que pode por fim acerca de 50 anos de conflito armado neste país.
            Já há várias décadas que se ensaiam processos de pacificação. Durante a presidência de Belisario Betancur (1982-1986), foi possível desmobilizar 10 % das FARC, as quais criaram um novo partido político, a União Patriótica (UP); mas  o assassinato de cerca de 3 mil de seus membros, estimulou ainda mais a guerra civil. Grupos guerrilheiros, como o Movimento 19 de Abril (M-19), Exército Popular Revolucionário (EPR), Quintín Lame e Corrente de Renovação Socialista, depuseram armas sob a presidência de César Gaviria (1990-1994). A constituição de 1991 alargou as possibilidades de participação e reforçou o estado de direito. O presidente Ernesto Samper (1994-1998) ensaiou um diálogo entre o Exército de Libertação Nacional (ELN) e representantes da sociedade civil colombiana, sem conseguir, porém, resultados concretos. O presidente Andrés Pastrana (1998-2002) propôs negociações em 1999, com as FARC, que colocaram como condição a desmilitarização de uma zona de  42.000 km2, superfície equivalente à Suíça! Esta nova etapa de negociações, promovida pelo atual presidente Juan Manoel Santos, encontra um novo contexto favorável, tais como um forte sustento internacional, um amadurecimento das partes envolvidas e sobretudo uma pauta mais definida de  negociações, composta de cinco pontos.
            O primeiro destes toca a questão de fundo da guerra civil, o problema agrário, num esforço de superar a forte disparidade fundiária (dados de 2003 indicam que apenas 0,4% da população possui 61,2% das terras) e fomentar o desenvolvimento rural. O segundo ponto atinge o plano político, tais como garantias para o exercício da oposição política e para a participação cidadã. O terceiro ponto diz respeito mesmo ao fim do conflito armado, deposição de armas e integração dos cerca de 9 mil combatentes das FARC na vida civil. O quarto ponto, nevrálgico, tratará da busca de soluções para o problema do narcotráfico, o qual financia, em grande parte, os paramilitares (grupos como Morte aos Sequestradores (MAS) e Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), atores não-negligenciáveis do conflito. O quinto e último ponto aborda o o direito à indenização às vítimas da violência, com o consequente esclarecimento da verdade: entre 1985 e 2005, calculam-se cerca de 250 mil mortos e mais de 3 milhões de pessoas obrigadas a abandonarem suas moradias.
            Para que isto se concretize, rezemos assim:
            Ó Deus de ternura, que enviaste teu filho Jesus para fazer a paz entre toda a criatura, derrama generoso teu Espírito sobre todo o povo colombiano e sobre todos os participantes das negociações que visam por fim ao conflito neste país. Que tenham abertura de espírito para dialogar, profundidade para abordar as questões e coragem necessária para encontrar soluções e firmar uma paz verdadeira e estável. Por Cristo, teu Filho e nosso Senhor!
            Com amizade, 
D. Irineu Rezende Guimarães
monge beneditino, prior da Abadia Nossa Senhora, Tournay, França

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Carta Mensal - Setembro de 2012

Tournay, 15 de agosto de 2012.

            A vocês todos EM BUSCA DA PAZ,
                        Paz!
            No próximo dia 21 de setembro, o mundo todo celebrará o “Dia Mundial da Paz”, instituído pela ONU desde 1982 e celebrado nesta data deste 2002. O tema proposto para este ano é “Uma paz sustentável para um futuro sustentável”, numa linha de continuidade com a Conferência Rio+20, realizada no mês de junho deste ano, cujo tema “O futuro que desejamos” refletiu e avaliou caminhos do desenvolvimento sustentável para o planeta.
            Esta temática do “Dia Mundial da Paz” nos permite refletir dois aspectos importantes da construção da paz. O primeiro é este de uma paz sustentável. A paz que queremos não pode ser apenas o intervalo entre duas guerras, uma paz de verniz: ela precisa e deve ser uma paz estável, capaz de se estabelecer em meio a todas as tensões da sociedade internacional. O futuro não necessita ser de medo, de miséria ou destruição! Nós temos hoje uma série de instrumentos que nos permitem de reorganizá-lo de outra forma. Segundo o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, que propôs este tema, “é impossível pensar em construir um futuro sustentável se não houver uma paz sustentável. Os conflitos armados atacam os pilares mesmos do desenvolvimento sustentável, privando as pessoas da oportunidade de se desenvolver, de criar oportunidades de trabalho, de salvaguardar o ambiente, de combater a pobreza, de reduzir o risco de desastres, de avançar na igualdade social e de assegurar que todo o mundo tenha o suficiente para comer”. A prevenção, resolução e reconciliação dos conflitos armados não é apenas um problema político ou da diplomacia internacional, mas uma questão que diz respeito a cada ser humano, a questão mais democrática possível, já que diz respeito à existência e à segurança da humanidade.
            O segundo aspecto é o da importância da gestão dos recursos naturais na construção desta paz sustentável. Nós sabemos que a causa profunda de muitos conflitos está relacionada diretamente com a posse de valiosos recursos naturais, como petróleo, água, diamantes, ouro ou madeira. A forma pela qual estes recursos são geridos é crucial para manter a segurança e a paz da humanidade. Sem uma gestão responsável destes recursos, a vida não será possível para grande parte da humanidade. Trata-se de lutar para que os recursos naturais sejam protegidos e estimados em lugar de serem usados para financiar guerras, para que as crianças podem ser educadas na escola e não ser recrutadas em exércitos, para que as desigualdades econômicas e sociais sejam resolvidas por diálogo em vez de violência.
            Os dois aspectos são profundamente relacionados. Não podemos conceber um futuro sustentável se ele não for acompanhado de uma paz sustentável. Da mesma forma, uma paz sustentável deve ser construída com um desenvolvimento sustentável. O Dia Mundial da Paz constitui uma valiosa oportunidade a todos nós, cidadãos do mundo inteiro, para refletir sobre a maneira pela qual nós podemos contribuir para garantir que os recursos naturais sejam geridos de maneira sustentável, reduzindo assim as possibilidades de conflitos e abrindo o caminho para um futuro sustentável.
            Para que isto se concretize, rezemos assim:
            Ó Deus de ternura, tu queres estabelecer com a humanidade inteira uma aliança de paz. Tu nos confiaste a criação e colocaste em nossas mãos a responsabilidade de conduzi-la a seu pleno desenvolvimento. Dá-nos, pois, teu Santo Espírito para que possamos aprender a cuidar dos bens da tua criação, de maneira que eles sejam fonte de paz e garantia de um futuro de vida para todos. Dá-nos a graça de sermos artesão de uma paz sustentável para que gozemos todos de um futuro sustentável! Por Cristo, teu Filho e nosso Senhor!
            Com amizade,
D. Irineu Rezende Guimarães, O. S. B.

sábado, 4 de agosto de 2012

Carta Mensal - Agosto de 2012

Tournay, 25 de julho de 2012.
            A vocês todos EM BUSCA DA PAZ,
                        Paz!
            Neste mês de agosto, celebramos o triste aniversário das bomba atômicas de Hiroshima (06/08/1945) e Nagasaki (09/08/1945), quando morreram 210 mil pessoas, ou pela explosão ou em consequência das radiações, civis em grande parte. Contudo, a tragédia de Hiroshima e Nagasaki, longe de significar o fim das armas atômicas, fez a humanidade mergulhar numa terrível e atroz corrida pelo nuclear. Hoje, ainda, com os vários tratados existentes, ainda restam cerca de vinte mil bombas, o equivalente a 600 mil bombas como aquelas de Hiroshima e Nagasaki! Destas, cerca de 1.800 ogivas estão em estado de alerta, prontas para serem acionadas!
            Assim, para que a humanidade não repita o horror e o sofrimento causados pelas armas atômicas, convido vocês a rezar pelo desarmamento nuclear total, condição essencial de uma paz verdadeira. Assim nos unimos às diversas manifestações mundiais nesta ocasião e somamos força à  Campanha Internacional para Abolição de Armas Nucleares (http://www.icanw.org). Eis alguns argumentos utilizados nesta luta e que podem sustentar nossa oração:
            Em primeiro lugar, ar armas nucleares não discriminam entre civis e militares, podendo uma única bomba, em um só golpe, devastar uma cidade ou até mesmo uma nação. Elas são particularmente perigosas, dada a possibilidade de serem disparadas acidentalmente, devido a erro técnico ou humano.  A posse de armas nucleares por alguns países é um estímulo constante para que outros também procedam a esforços para possuí-las, como o ocorrido, por exemplo, com as duas Coreias, que viram na presença de armas nucleares americanas uma razão para se lançarem no nuclear. As armas nucleares constituem uma ameaça constante de aniquilação do planeta, de contaminação radioativa e de inverno nuclear, além de intensificarem a desconfiança entre as nações, gerando um clima de tensão e medo. De forma alguma, as armas nucleares garantem a paz!
            As armas nucleares são caras e absorvem enormes recursos econômico, que poderiam ser aplicados em outras áreas, como saúde e educação. Somente o gasto anual dos Estados Unidos em armas nucleares, cerca de 40 bilhões de dólares, seria o suficiente para manter o acesso universal a educação básica, cuidado médico básico, alimentação, água potável e saneamento. Em nível de segurança pública, as armas nucleares são inúteis, não podendo serem usadas contra grupos terroristas, crime organizado, ou traficantes de drogas, nem tampouco num campo de batalha.
            Negociações e tratados de outros sistemas de armas, como armas químicas, armas biológicas e minas terrestres, mostram como a eliminação das armas restantes é fisicamente e praticamente realizável.  Para que isto se concretize, rezemos assim:
            Ó Deus de ternura, tu criaste o homem e a mulher para que conduzissem a criação pelos caminhos da vida e do crescimento. Contudo, a humanidade afastou-se deste caminho e passou a conceber armas terríveis, de mais em mais. Que o Espírito do teu Filho Jesus, príncipe da paz, ele que desarmou Pedro, inspire governantes e nações a se colocarem de acordo para a eliminação das armas atômicas. Assim, este perigo terrível se afastará de todos nós e poderemos investir nossas energias e riquezas na satisfação das reais necessidades humanas e na criação de um clima de confiança entre os povos. Por Cristo, teu Filho e nosso Senhor!
            Hiroshima e Nagasaki nunca mais!
            Com amizade, 
D. Irineu Rezende Guimarães, O. S. B.