quarta-feira, 14 de março de 2012

Carta Mensal - Março de 2012


Tournay, 10 de fevereiro de 2011.

            Queridos amigos e amigas EM BUSCA DA PAZ,
                        Paz!
Continuemos a aprofundar o tema escolhido pelo Papa Bento XVI para a 45a Jornada Mundial da Paz, “Educar os jovens para a paz e a justiça”. A simples enunciação nos faz colocar a questão: quem educará os jovens para a paz e a justiça? Assim, convido vocês a rezar para que Deus suscite profundos e autênticos “educadores de paz para a juventude”.
O Papa mesmo coloca esta questão no belo texto que escreveu, quando discorre sobre “Os responsáveis da educação”. Eles começa sua reflexão por descrever os educadores, dizendo claramente que “não bastam meros dispensadores de regras e informações; são necessárias testemunhas autênticas, ou seja, testemunhas que saibam ver mais longe do que os outros, porque a sua vida abraça espaços mais amplos. A testemunha é alguém que vive, primeiro, o caminho que propõe” (n. 2).
O Papa insiste, em primeiro lugar, sobre o papel das famílias na educação para a paz: “esta é a primeira escola onde se educa para a justiça e a paz” (n. 2). E após descrever os diversos obstáculos que as família encontram, sejam de ordem econômica, social, cultural, entre outros, o Papa proclama esta exortação aos pais: “Queria aqui dizer aos pais para não desanimarem! Com o exemplo da sua vida, induzam os filhos a colocar a esperança antes de tudo em Deus, o único de quem surgem justiça e paz autênticas”.
O Papa também se dirige aos responsáveis das instituições com tarefas educativas. A eles o pedido de Bento XVI vai em duas linhas. A primeira, para que a educação respeite e valorize, em todas as circunstâncias, a dignidade de cada pessoa. A segunda, para que a educação seja “lugar de abertura ao transcendente e aos outros; lugar de diálogo, coesão e escuta, onde o jovem se sinta valorizado nas suas capacidades e riquezas interiores e aprenda a apreciar os irmãos. Possa ensinar a saborear a alegria que deriva de viver dia após dia a caridade e a compaixão para com o próximo e de participar ativamente na construção duma sociedade mais humana e fraterna”.
Em outros espaços, defini certa vez o educador para a paz por três características. A primeira, na linha de que o Papa dizia acima, é a primazia do vivido sobre o enunciado: o educador para a paz é aquele que é paz, mais do que diz sobre paz, numa unidade entre meios e fins. Afinal, “não existe caminho para a paz, a paz somente é o caminho”, de forma que os fins jamais justificam os meios; pelo contrário, os meios são embriões dos fins e os fins estão embutidos nos meios! A segunda característica é sua capacidade de trabalhar comunitariamente, de fazer ressoar nos outros o entusiasmo pela causa da paz: a construção da paz se apoia sobretudo nos vínculos que criamos uns com os outros. Finalmente, a terceira característica, o educador para a paz é aquele que se insere no grande movimento pela paz, participando ativamente de uma ou mais de suas áreas de atuação: cultura de paz, direitos humanos, resolução de conflitos, desarmamento e segurança humana.
Vislumbrando, então, estes caminhos, convido vocês a rezar assim:
Ó Deus de ternura, teu filho Jesus nos enviou a anunciar a paz para todas as casas (Cf. Lc 10,5). E também nos pediu para suplicar a ti para enviar operários para o teu Reino (Cf. Lc 10,2). Assim nós te pedimos por todos os educadores, sejam pais, sejam profissionais da educação, para que sejam instrumentos de paz junto à juventude. Agindo sem violência, ensinem aos jovens que a violência nada pode construir de estável e, oportunizando vivências de paz, apontem caminhos de construção de uma vida e de uma sociedade de justiça e paz. Por Cristo, Senhor nosso.

            Com amizade,
D. Irineu Rezende Guimarães, O. S. B.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Carta Mensal de Fevereiro


Tournay, 30 de janeiro de 2012.

            Queridos amigos e amigas EM BUSCA DA PAZ,
                        Paz!
No mês passado, convidei vocês a rezar, em comunhão com o Papa Bento XVI, o tema da 45a Jornada Mundial da Paz, “Educar os jovens para a paz e a justiça”. Este mês, e no próximo, penso que poderemos desdobrar este vasto tema, rezando por “espaços de educação para a paz para a juventude”.
Se queremos educar os jovens para a paz e a justiça, é preciso pensar os espaços e meios desta educação. Não podemos cair na tentação, sempre presente, de responsabilizar a própria juventude. Pelo contrário, precisamos fazer uma avaliação profunda de nossa sociedade e de nossa cultura, para viabilizarmos instrumentos de educação para a paz e a justiça para a juventude.
Em primeiro lugar, a própria escola. É hora, mais do que nunca, de pensarmos em uma escola para a paz. Devemos reconhecer que a escola cumpre um papel importante na socialização de crianças e jovens, pois é lá que eles passam uma boa parte do tempo. No entanto, se a escola cumpre várias metas, ela deixa muito a desejar no que diz respeito à uma educação para a paz. Esse tipo de formação é tão importante que não podemos deixar dependendo da boa vontade de alguns, mas deve ser incluído nas políticas de educação. Por que não pensar em uma escola, por exemplo, que ensine crianças e jovens a resolverem conflitos de forma não-violenta? Por que não sonharmos com uma escola que ensine crianças e jovens a lidar e trabalhar sua agressividade, canalizando-a de forma construtiva? Uma escola para a paz será aquela que oferece vivências de paz e de não-violência à seus sujeitos: mais do que nunca é tempo de acreditarmos que se uma escola oferece vivências de paz inesquecíveis, insubstituíveis e inesgotáveis, estas terão uma força de orientação muito grande na vida de crianças e jovens. Mas uma escola para a paz é também aquela que se estrutura de forma não-violenta. Como afirma o pensador francês Jean-Marie Muller, “a educação para a não-violência tem que começar pela não-violência da educação”. Esta escola da paz saberá também relacionar a paz com os saberes que transmite. Ou insistiremos ainda em dizer que a ciência é neutra, quando propomos problemas tipo “um canhão lança uma bala a um alvo à 300 metros, numa velocidade de 60 m/s, quanto tempo levará para atingir seu alvo”?
Também sabemos que a escola tem limites e que ela não é a única instância formativa de nossas crianças e jovens. Por isso, além de políticas públicas de educação formal para a paz, é preciso pensar na  educação para a paz que se realiza de modo informal. Aqui penso no papel dos meios de comunicação, mas também de outras instâncias como clubes, associações, sindicatos. Também a cidade, no seu todo, com seus outdoors e outros equipamentos, mas também na sua maneira de se organizar, enviam mensagens a todos nós no que diz respeito à violência, não-violência e paz, exercendo um verdadeiro papel pedagógico. Isto sem esquecer o que chamamos hoje de “novas tecnologias”, as quais exercem uma influência cada vez mais decisiva sobre crianças e jovens, influenciando suas orientações, valores, critérios de julgamento, etc.
Frente a tantos desafios, convido vocês a rezar assim:
Ó Deus de ternura,tua palavra é de paz: é a paz que tu anuncias, paz para o teu povo e yeus amigos (Cf. Sl 85,9). Nós te pedimos que as crianças e jovens de nosso tempo possam escutar esta tua mensagem e deixar que ela se desenvolva profundamente nas suas consciências. Que todos os espaços de educação da infância e da juventude – escola, meios de comunicação, novas tecnologias, associações etc. – ofereçam “visões de paz”, para que eles possam amadurecer guiados e estruturados por estes valores. Por Cristo, Senhor nosso.


            Com amizade,
D. Irineu Rezende Guimarães, O. S. B.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

2012 - A primeira carta do ano!


Tournay, 27 de dezembro de 2011.

            Queridos amigos e amigas EM BUSCA DA PAZ,
                        Paz!
Pela 45a vez, os papas propõem um tema para guiar a reflexão dos cristãos e de todas as pessoas de boa vontade para o o dia 1º de janeiro, consagrado pela Igreja Católica como “Dia Mundial da Paz”. Este ano de 2012, o Papa Bento XVI escolheu o tema: “Educar os jovens para a justiça e a paz”. Em meio às incertezas de nosso tempo, no entanto, há a esperança de uma nova aurora. Para o papa, “esta expectativa mostra-se particularmente viva e visível nos jovens”; e é por isso a mensagem de paz volta-se para eles, “convencido de que eles podem, com o seu entusiasmo e idealismo, oferecer uma nova esperança ao mundo”. E, assim, o Papa convida “todas as componentes educativas, formadoras, bem como aos responsáveis nos diversos âmbitos da vida religiosa, social, política, econômica, cultural e mediática” à “prestar atenção ao mundo juvenil, saber escutá-lo e valorizá-lo para a construção dum futuro de justiça e de paz”, “como um dever primário de toda a sociedade” (nº 1).
Bento XVI começa sua reflexão mostrando a responsabilidade de toda sociedade para esta tarefa de educar a juventude para a paz e a justiça (nº 2). Depois o papa desenvolve alguns aspectos deste tema:
-                   educar para a verdade e a liberdade, num mundo marcado, ao mesmo tempo, pelo relativismo e pelo esquecimento de Deus (nº 3);
-                   educar para a justiça numa sociedade “onde o valor da pessoa, da sua dignidade e dos seus direitos, não obstante as proclamações de intentos, está seriamente ameaçado pela tendência generalizada de recorrer exclusivamente aos critérios da utilidade, do lucro e do ter” (nº 4);
-                   educar para a paz,  “fruto da justiça e efeito da caridade”, dom de Deus e obra  ser construída (nº 5);
O Papa conclui sua reflexão convidando a “levantar os olhos para Deus”: “Olhemos, pois, o futuro com maior esperança, encorajemo-nos mutuamente ao longo do nosso caminho, trabalhemos para dar ao nosso mundo um rosto mais humano e fraterno e sintamo-nos unidos na responsabilidade que temos para com as jovens gerações, presentes e futuras, nomeadamente quanto à sua educação para se tornarem pacíficas e pacificadoras! Apoiado em tal certeza, envio-vos estas reflexões que se fazem apelo: Unamos as nossas forças espirituais, morais e materiais, a fim de « educar os jovens para a justiça e a paz » (nº 6). O texto completo pode ser lido em http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html.
            Inserindo-nos numa grande rede de orantes pela paz, reservemos um momento da nossa jornada deste 1º de janeiro para um momento de silêncio e oração. Rezemos assim:
            Ó Deus, de justiça e de paz, tu renovas o mundo com o dom precioso da juventude. Nós te pedimos por ela: que não se deixe invadir pelo desânimo, nem se abandone a falsas soluções; que dotada de coragem, enfrentando a fadiga e o sacrifício, possa optar por caminhos que requerem fidelidade e constância, humildade e dedicação. Que todos, jovens e adultos, trabalhemos junto para tornar realidade, em todas as dimensões da vida humana, a paz que os anjos proclamaram quando o teu Cristo nasceu. Por Ele te pedimos, Ele que é nossa paz, Deus contigo, na unidade do Espírito Santo. Amém!
            Feliz Ano Novo!
            Com amizade,
D. Irineu Rezende Guimarães, O. S. B.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Carta Mensal - Dezembro de 2011


Tournay, 30 de novembro de 2011.
            Queridos amigos e amigas EM BUSCA DA PAZ,
Paz!
No final deste mês, festejaremos Natal. Nossos corações se voltam para Belém, contemplando a encarnação de Deus em nossa terra. Quando do seu nascimento, os anjos proclamaram: “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra para os seus bem-amados” (Lc 2,14). E, no entanto, a terra onde Jesus nasceu não goza de paz: as nações que lá estão, israelenses e palestinos, vivem num clima de violência. Por isso, quero convidar vocês para rezarmos pela paz na terra em que o Cristo viveu!

« É tempo para os palestino e israelenses partilharem uma paz justa. É tempo de respeitar a vida humana nesta terra que dizemos santa; para começar a cura das almas feridas; para que se acabe 60 anos de conflito, opressão e medo; para que a liberdade suceda à ocupação. É tempo para a igualdade de direitos; para que cesse a discriminação, a segregação e a restrição dos movimentos. (…) É tempo para que os israelenses tenham segurança e fronteiras seguras em acordo com os seus vizinhos; para que a comunidade internacional aplique 60 anos de resoluções das Nações Unidas; para que o governo israelense aceite o acordo oferecido pelas iniciativas de paz árabe; para que todos os que representam o povo palestino participem ao estabelecimento da paz; para que os refugiados  reencontrem seus direitos e um lar permanente; para que os colonos que vivem nos territórios palestino ocupados se instalem em Israel; para a autodeterminação. É tempo para que os estrangeiros visitem Belém e outras cidades prisioneiras do muro. (…) É tempo de denunciar o vergonhoso castigo coletivo e que se ponha fim a ele de todas as formas; de rechaçar com firmeza a violência que atinge civis e de garantir que todos estejam em segurança; de libertar os prisioneiros e de julgar equitativamente aqueles que são legitimamente acusados; (…) para que todos respeitem as normas do direito internacional humanitário e dos direitos humanos. É tempo de compartilhar Jerusalém, capital das duas nações e cidade santa de três religiões.; para que muçulmanos, judeus e cristãos tenham liberdade para visitar os lugares santos; para que as oliveiras floresçam e que seus frutos amadureçam na Palestina e em Israel. É tempo de honrar todos os que sofreram, palestinos e israelenses; de tirar lições das injustiças passadas; de compreender a razões da ira e de eliminar suas causas; para que aqueles que têm as mãos manchadas de sangue reconheçam o que fizeram; para suscitar o perdão entre as comunidades e de reparar toda uma terra ferida; de avançar como seres humanos todos feitos à imagem de Deus. Todo que possa dizer a verdade ao poder deve dizê-lo. Todo aquele que quer romper o silencio que cobre a injustiça deve rompê-lo. Todos que  tenham algo para dar à paz, devem dá-lo. Paraa a Palestina, para Israel, para nosso mundo perturbado, é tempo de paz » (Mensagem para a Semana Mundial pela Paz na Palestina e Israel 2011, promovida pelo Fórum Ecumênico Israel-Palestina Internacional do Conselho Mundial de Igrejas: http://www.oikoumene.org/en/programmes/public-witness-addressing-power-affirming-peace/churches-in-the-middle-east/pief/world-week/message-its-time-for-palestine.html).

Rezemos assim:

Bendito sejas, ó Deus, pelo dom que nos deste no teu Filho Único, que nasceu em Belém, como Príncipe da Paz para destruir os muros que nos separam as pessoas. Olha para a terra em Jesus nasceu: liberta-a da indiferença, do desprezo e da violência, que produzem apenas ódio e matança. Inspira os palestinos e israelenses: conde-lhes libertação, liberdade e dignidade. Guia os seus  dirigentes , para que sirvam à causa da reconciliação. Que tua Palavra de amor se derrame sobre todos. Guia-nos todos no caminho da justiça e da paz. Tudo isso te pedimos em nome daquele que veio partilhar nossa humanidade e nos conduzir à tua divindade: Jesus, teu Filho amado, na unidade do Espírito Santo.

Feliz Natal!
D. Irineu Rezende Guimarães, O. S. B.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Carta Mensal - Novembro de 2011

Tournay, 31 de outubro de 2011.
            Queridos amigos e amigas EM BUSCA DA PAZ,
                        Paz!
Aqui na França, uma das discussões mais quentes é sobre o nuclear. Seja o nuclear militar: a França possui 300 bombas, cada uma com um poder de destruição dez vezes mais potentes que a bomba de Hiroshima. Seja também o nuclear, com fins civis: cerca de 78% da energia utilizada em França é de origem nuclear.
Se estendemos este quadro para todo o mundo, poderemos nos assustar: os arsenais atômicos mundiais atingem cerca de 22.500 bombas: a Rússia possui 11 mil; os Estados Unidos, cerca de 8.500; a França 300; China, 240; Reino Unido, em torno de 225; Paquistão entre 90 e 110; a Índia, entre 80 e 100; Israel, 80; Coreia do Norte, em torno de 10. De todo este arsenal, cerca 1.800 em estado de alerta. Os Estados Unidos possuem atualmente um protocolo de resposta de 20 minutos após a detecção de um míssil não-identificado. Verdadeiramente, a guerra fria não é coisa do passado!
 Cada uma destas bombas pode destruir uma cidade como Paris num raio de 15 km! Além do poder de destruição, há a questão do custo. O orçamento nuclear militar anual da França, por exemplo, é de R$ 8.500.000.000,00. O que se poderia fazer em termos de educação e saúde com um dinheiro deste?
É a segurança internacional que está em causa: não somos protegidos pelas armas nucleares, ao contrário somos justamente um alvo. Isto sem falar de acidente nucleares, como o ocorrido recentemente em Fukushima, no Japão, classificado em grau máximo.
            É verdade que cresce no mundo um movimento para limitar as armas nucleares. O Tratado de Não-Proliferação (TNP), em vigor desde 1970, com adesão de 189 países, objetiva limitar a expansão das armas nucleares, onde os países detentores de armas nucleares ficam obrigados a não transferir essas armas para os que não têm, enquanto esses se comprometem a não buscar armas nucleares. Mas Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte não fazem parte deste Tratado. Em 2010, na ONU, houve uma importante Conferência para Abolição Total das Armas Nucleares, onde se propôs a relizar o objetivo de um mundo sem armas nucleares até 2020. A proposta é de uma Convenção de Eliminação de Armas Nucleares, que proibirá a fabricação, o estoque, a transferência, o empreggo e a ameaça de uso de armas nucleares. A necessidade de uma tal Convenção foi aprovada por ¾ da Assembleia Geral da ONU, em dezembro de 2010.

Assim, convido a todos a sustentarmos com nossa pobre prece este importante processo de desarmamento para a paz no mundo. Rezemos assim:
Ó Deus da Paz e da Vida, que inspiraste teus profetas a te anunciar como um Deus que destrói todas as armas (Cf. Os 2,20) e que suscita a humanidade a transformar espadas em arados (Cf. Is 2,4), nós te pedimos abençoar todas as pessoas e grupos que lutam pela abolição das armas nucleares. Liberta a humanidade da ameaça da destruição total e confirma em todas as nações a convicção que a paz e a segurança virão somente pelo diálogo e entendimento mútuo. Que os orçamentos nucleares sejam convertidos para a educação, a saúde e todas as áreas que contribuem para o elevação de cada ser humano. Isto te pedimos por Cristo, Messias da Paz, teu Filho e nosso Senhor. Amém.
Unidos nesta convicção, recebam meu abraço fraterno,
D. Irineu Rezende Guimarães, O. S. B.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Carta Mensal - Outubro de 2011

Nyons, 28 de setembro de 2011.
            Queridos amigos e amigas EM BUSCA DA PAZ,
                        Paz!
No dia 27 de outubro próximo, o Papa Bento XVI organizará, em Assis, um dia de reflexão, de diálogo e de oração para a paz e a justiça no mundo, em comemoração dos 25 anos do histórico encontro, quando o Papa João Paulo II, em 1986, reuniu representantes de todas as religiões do mundo para rezar pela paz. Este ano novamente, o Papa se fará peregrino em Assis, convidando as diversas confissões cristãs, representantes das tradições religiosas do mundo e todas as pessoas de boa vontade à se unirem a esta proposta. Este ano, o Papa convidou também personalidades do mundo da cultura e da ciência, mesmo que não religiosas.
As delegações partirão de Roma, de trem, na manhã do 27 de outubro, junto com o Papa. Na chegada, em Assis, todos irão à Basílica de Santa Maria dos Anjos para fazer memória dos encontros precedentes e para refletir o tema proposto pela Papa. Após um almoço frugal, haverá um tempo de silêncio para oração e meditação pessoal.  Depois, todos os participantes irão à Basílica de São Francisco à pé e em silêncio, onde renovarão solenemente seu engajamento pela paz.
O tema desta Jornada é: “Peregrinos da verdade, peregrinos da paz”. Com este tema, o Papa quer significar que cada um de nós é, no fundo, um peregrino à procura da verdade e do bem. O homem religioso permanece sempre em marcha para Deus: de lá nasce a possibilidade e, mesmo, a necessidade de dialogar com todos, crentes e não-crentes, sem renunciar sua identidade ou cair no sincretismo. Na medida que a peregrinação pela verdade é vivida de forma autêntica, ela se abre ao diálogo com o diferente, não excluindo ninguém e nos engajando todos a sermos construtores de fraternidade e de paz. Esta é a razão pela qual personalidades do mundo da cultura e da ciência, mesmo que não religiosas, serão convidadas a participar.
Este tema e este encontro é sumamente importante. Nós todos sabemos quantas violências e guerras  tiveram nas diferenças religiosas suas causas principais. Nós também sabemos o quanto as diferentes religiões podem contribuir para o crescimento da fraternidade, da tolerância e da convivência entre as pessoas. Se as religiões de todo mundo conseguem dialogar e viver em paz, isto será para a humanidade um grande e importante sinal que a paz é possível.
Em preparação a esta Jornada, o Papa Bento XVI presidirá, na véspera, na Basílica de São Pedro, uma vigília de oração com os fiéis da Diocese de Roma. As Dioceses e diferentes comunidades do mundo são convidadas a organizar momentos semelhantes de oração. O Papa pede aos católicos de todo mundo a se unirem espiritualmente a esta celebração deste acontecimento importante. Não será para nós uma bela oportunidade de visibilizar nossa rede de orantes pela paz, com a realização de um encontro e de um momento, simples e profundo, de oração comum?
Assim, convido a todos a rezar para que os crentes unidos sejam sinais e forças de paz:
Ó Deus da Paz, há 25 anos, à convite do Papa João Paulo II, tu reuniste líderes de todas as religiões para orarem pela paz. Este ano, mais uma vez, à convite do Papa Bento XVI, tu reúnes representantes de todas as religiões para uma Jornada de reflexão e oração comum. Assim como São Francisco de Assis, inspirado por ti, contribuiu para aproximar as pessoas do seu tempo, reaviva em nós o espírito de Assis, para que os crentes de todas as religiões possam se unir na construção da paz. Que as religiões deem ao mundo um testemunho de compaixão e de diálogo, para que o mundo creia que a paz é possível. Isto te pedimos por Cristo, Messias da Paz, teu Filho e nosso Senhor. Amém.
Unidos nesta convicção, recebam meu abraço fraterno,
D. Irineu Rezende Guimarães, O. S. B.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Carta Mensal - Setembro de 2011


Tournay, 28 de agosto de 2011.
                Queridos amigos e amigas EM BUSCA DA PAZ,
                                Paz!
Neste mês de setembro, mais uma vez, a ONU convida as nações do mundo inteiro a celebrar o dia 21 de setembro, como dia mundial da paz. Esta data é uma bela ocasião para que pessoas, grupos, organizações e países manifestem gestos e compromissos pela paz mundial. O primeira Dia Mundial da Paz foi celebrado em setembro de 1982, coincidindo com a abertura da Assembleia Geral da ONU. Em 2002, esta mesma Assembleia Geral declarou o dia 21 de setembro como “Dia Internacional da Paz”, entendido também como um dia de “cessar-fogo”.
Assim, convido vocês a rezarem por todas as organizações que, no mundo inteiro, contribuem para a causa da paz entre os povos, especialmente pelas Organização das Nações Unidas.  Mesmo com serve  todas suas limitações, ela constitui um vivo instrumento no serviço da paz.
A Organização das Nações Unidas, com seus diversos braços, atua especialmente na busca de pontos de consenso para a concretização de medidas duradouras de paz. Podemos resumir o trabalho da ONU em três palavras: “peacemaking”; “peacekeeping”;  “peacebuilding”. “Peacemaking” é a sua atuação para resolução não-violenta dos conflitos, feita através especialmente de suas assembléias e do conselho de segurança. “Peacekeeping” é o trabalho para reduzir a violência e manter a paz situações de extremo conflito, sobretudo através das forças de paz, os assim chamados “capacetes azuis”.   “Peacebuilding” diz respeito a construção da paz especialmente pelo desenvolvimento dos potenciais humanos: aí poderemos lembrar os diversos braços da ONU que atuam em áreas específicas, como a FAO (alimentação), UNESCO (educação e cultura), UNICEF (infância), OMS (saúde), etc.
Em 2000, os estados-membros da ONU engajaram-se num compromisso compartilhado com a sustentabilidade do Planeta. Eles estabeleceram um conjunto de 8 macro-objetivos, a serem atingidos pelos países até o ano de 2015, por meio de ações concretas dos governos e da sociedade, conhecidos como “Os oito jeitos de mudar o mundo”: 1) Acabar coma fome e a miséria; 2) Educação básica de qualidade para todos; 3) Igualdade entre sexos e valorização da mulher; 4) Reduzir a imortalidade infantil; 5) Melhorar a saúde das gestantes; 6) Combater a AIDS, a malária e outras doenças; 7) Qualidade de vida e respeito ao meio ambiente; 8) Todo mundo trabalhando pelo desenvolvimento.
Há alguns anos, discute-se uma reforma das Nações Unidas. Entre os pontos que são levantados, inclui-se a transformação dos representantes dos países em representantes das nações, como deputados dos povos membros. Também sugere-se que as resoluções dos dois Tribunais, o de Haia que julga questões entre países) e o de Roma (que julga questões entre pessoas e países) tenham força coercitiva. Um outro ponto é a constituição do Conselho de Segurança: alguns países como o Brasil, reivindicam um lugar no conselho permanente, mas outros propõem o fim de membros permanentes no Conselho de Segurança, dando um estatuto de real igualdade entre nações.
Proponho que, além de assumir esta intenção de oração, possamos falar deste tema às pessoas que nos rodeiam. No dia 21 de setembro, podemos acender uma vela e consagrarmos um momento de oração pela paz no mundo. Rezemos com as palavras deste hino dos negros americanos:
« A começar em mim, prometo a meu Senhor que a cada passo que eu der, e seja onde for, a cada momento estarei vivendo em plena paz e amor.
Haja paz na Terra, a começar em mim.
Irmãos nós todos somos, filhos do mesmo Deus. Juntos pois caminhemos, na paz que vem dos céus.
Haja paz na Terra, a começar em mim”.
Com toda minha amizade e estima,
D. Irineu Rezende Guimarães, O. S. B.