sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Carta Mensal - Agosto de 2013


Tournay, 31 de julho de 2013.

A vocês todos em busca da paz,
PAZ!
Um dos graves problemas de nosso tempo é este dos refugiados, que não encontrando mais segurança no lugar em que vivem, são obrigados a deixarem casa, trabalho e pátria para procurarem um lugar onde seja possível viver.
Segundo relatório divulgado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, em 20 de junho de 2013, Dia Mundial do Refugiado, o número de refugiados cresceu, atingindo a cifra de 45 milhões de vítimas, sendo 15,4 milhões de refugiados, 937 mil solicitando asilo e 28,8 milhões de pessoa obrigadas a mudar de domicilio em seu próprio pais, o que corresponde a um novo refugiado a cada quatro segundos. Este número, restrito ao ano de 2012 (não incluindo, portanto, os refugiados sírios de 2013!), é o maior registrado desde 1994, ano do genocídio em Ruanda e de grave crise nos Balcans, provocada pela dissolução da Iugoslávia.
Este aumento está relacionado, sobretudo, com a guerra civil na Síria, que, desde março de 2011, causou a morte de 93 mil pessoas e produziu 3,5 milhões de sírios refugiados no exterior e mais de 6 milhões deslocados internamente. As crises no Mali e na República Democrática do Congo também influenciaram, assim como a instabilidade politica em países como Afeganistão, Iraque, Somália e Sudão. Mais da metade dos refugiados recenseados provem de países em guerra. Cerca de 46% dos refugiados são menores de 18 anos, sendo que 21.300, não-acompanhados ou separados de seus pais, solicitaram asilo.
O Afeganistão, como nos últimos 32 anos, continua no topo da lista dos países que geram refugiados (2.865.600 !): em cada quatro refugiados, um é afegão ; sendo que 95% destes moram no Paquistão ou no Irã. Seguem Somália (1.136.100), Iraque (746.700) e Síria (471.400). Entre os países que abrigam refugiados, destacaram-se, em 2012, Paquistão (1,6 milhões), Irã (868.200), Alemanha (589.700) e Quênia (564.900).
O drama dos refugiados constitui uma grave ameaça à paz mundial. Já em 1963, através da encíclica « Pacem in Terris », o Papa João XXIII denunciava os sistemas políticos que « restringem em demasiado os limites de uma justa liberdade que permita aos cidadãos respirar um clima humano » (n° 104). Ele proclamava também que « os refugiados políticos são pessoas e que se lhes devem reconhecer os direitos de pessoa; tais direitos não desaparecem com o fato de terem eles perdido a cidadania do seu país » (n° 105). Ele reconhece como « um direito inerente à pessoa » a faculdade de se inserir « na comunidade política, onde espera ser-lhe mais fácil reconstruir um futuro para si e para a própria família », ao mesmo tempo em que aconselha os governos a acolher os refugiados e de lhes favorecer a integração na nova sociedade em que manifestem o propósito de inserir-se (n° 106).
Nesta intenção, rezemos assim:
Ó Pai, teu filho Jesus foi refugiado no Egito, para fugir da espada de Herodes. Da mesma forma que O protegeste, envia teus anjos para proteger os refugiados do nosso tempo. Sustenta todas as pessoas e instituições que trabalham em prol desta causa. Ilumina os governos do mundo para que sejam sensíveis ao drama destes nossos irmãos.Por Cristo, nosso Senhor! Amém!
Com amizade,
Dom Irineu Rezende Guimarães
Monge beneditino da Abadia Nossa Senhora, Tournay, França

sábado, 6 de julho de 2013

Carta Mensal - Julho de 2013


Tournay, 20 de junho de 2013.

A vocês todos em busca da paz,
PAZ!
De 23 a 28 deste mês de julho, na cidade do Rio de Janeiro, Brasil, será realizada a XXVIII Jornada Mundial da Juventude. Jovens de todos os cantos do planeta encontrarão o Papa Francisco e refletirão o lema “Ide e fazei discípulos entre todas as nações” (Mt 28, 19). Na ocasião deste importante acontecimento, venho convidar vocês a rezar para que os jovens que participarão deste encontro e os jovens de todo o mundo sejam agentes de uma cultura de paz !
O bem-aventurado Papa João Paulo II afirmou, por ocasião do XVIII Dia Mundial da Paz, em 1° de janeiro de 1985, que “a paz e os jovens caminham juntos”. Dirigindo-se à juventude, ele dizia: “O desafio da paz é grande, mas a recompensa é ainda maior; porque o vosso empenho em favor da paz levar-vos-á a descobrir o que é melhor para vós próprios, ao procurardes aquilo que é melhor para os demais. Estareis a crescer e a paz estará a crescer convosco » (n° 12).
No entanto, para que isto se concretize plenamente, é preciso que as novas gerações sejam formadas para a paz ! O engajamento da juventude com a causa da paz não se dará espontaneamente, mas pelo empenho das gerações que lhes antecedem em educá-las para a paz. O mesmo João Paulo II, na sua primeira mensagem para o Dia Mundial da Paz, em 1° de janeiro de 1979, escolhera como tema “Para alcançar a paz, educar para a paz!”. Nela, ele insistia em três tarefas fundamentais. Primeiro: encher os olhares da juventude com visões de paz, irradiando múltiplos exemplos de paz e demonstrando estima pelas grandes tarefas pacíficas dos dias de hoje. Segundo:  falar uma linguagem de paz, agindo sobre a linguagem para agir sobre o coração e desarmar as ciladas da mesma linguagem. Terceiro: realizar gestos de paz, pois é o pôr em prática a paz que leva à paz. Estes três pontos devem constituir-se em princípios norteadores de todas instituições envolvidas com a formação da juventude, tais como escolas, universidades, famílias, igrejas, meios de comunicação, associações, sindicatos, etc. Se estas instituições não assumirem conscientemente suas responsabilidades como educadoras de paz da juventude, quem o fará? E se a juventude não portar a chama da paz, quem a portará?
Nesta intenção, rezemos a oração oficial desta Jornada Mundial da Juventude:
Ó Pai, enviaste o Teu Filho Eterno para salvar o mundo e escolheste homens e mulheres para que, por Ele, com Ele e n’Ele, proclamassem a Boa-Nova a todas as nações. Concede as graças necessárias para que brilhe no rosto de todos os jovens a alegria de serem, pela força do Espírito, os evangelizadores de que a Igreja precisa no Terceiro Milênio.
Ó Cristo, Redentor da humanidade, Tua imagem de braços abertos no alto do Corcovado acolhe todos os povos. Em Tua oferta pascal, nos conduziste pelo Espírito Santo ao encontro filial com o Pai. Os jovens, que se alimentam da Eucaristia, Te ouvem na Palavra e Te encontram no irmão, necessitam de Tua infinita misericórdia para percorrer os caminhos do mundo como discípulos-missionários da nova evangelização.
Ó Espírito Santo, Amor do Pai e do Filho, com o esplendor da Tua Verdade e com o fogo do Teu Amor, envia Tua Luz sobre todos os jovens para que, impulsionados pela Jornada Mundial da Juventude, levem aos quatro cantos do mundo a fé, a esperança e a caridade, tornando-se grandes construtores da cultura da vida e da paz e os protagonistas de um mundo novo. Amém!
Com amizade,
Dom Irineu Rezende Guimarães
Monge beneditino da Abadia Nossa Senhora, Tournay, França

Carta Mensal - Junho de 2013

                                                                                       Tournay, 30 de maio de 2013.

   A vocês todos em busca da paz,

   PAZ!

   Neste 3 de junho de 2013, abre-se para assinatura e ratificação o Tratado sobre o Comércio de Armas, com o objetivo de adotar normas para regular e instaurar uma maior transparência nas transferências internacionais de armamentos. Desta maneira, ele visa também prevenir e eliminar o comércio ilícito de armas clássicas e impedir o desvio destas mesmas armas.

   Fruto da mobilização de organizações não-governamentais e de vários países, especialmente o Reino-Unido e a França, seu debate durou sete anos. Após uma intensa negociação, o tratado foi aprovado pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 2 de abril de 2013. A resolução abrindo o tratado à assinatura recebeu 154 votos favoráveis, três contra (Coreia do Norte, Irã e Síria) e 23 abstenções, entre elas a China, o Egito, a Índia, a Indonésia e a Rússia. O tratado entrará em vigor 90 dias apos a quinquagésima ratificação.

   O comércio de armas representa cerca de 80 bilhões de dólares por ano, com um aumento global de 17 % sobre a última década. Seis países (China, Estados Unidos, França, Israel, Reino-Unido e Rússia) representam 90 % das exportações mundiais de armas novas. A ausência de regras e de controle sobre este comércio constitui uma das causas de várias situações de violência armada, tanto de crimes como de conflitos, freqüentemente em condições de pobreza e desigualdade extremas.

   O tratado abrange todo tipo de transferência internacional (importação, exportação e transporte) e toda transação de armas clássicas. Sob este título incluem-se desde armas leves e de pequeno porte, como um revólver ou um rifle, até aviões e navios de guerra, passando por tanques e veículos blindados de combate, mísseis e lançadores de mísseis, helicópteros de combate e sistemas de artilharia de grande calibre. O tratado institui também um regime de controle nacional para regulamentar a exportação de munições utilizadas pelas armas clássicas, bem como de suas peças e componentes.

   O princípio do tratado é que cada país deve avaliar, antes de toda transação, o risco que essas armas, munições ou componentes sejam usados para cometer ou facilitar violações dos direitos humanos e do direito internacional humanitário – como um genocídio, por exemplo –, ou caiam nas mãos de terroristas ou de criminosos. Em todos esses casos, o país exportador deverá não autorizar a transação.

   Neste mês de junho, sustentemos por nossa prece este novo tratado: que ele seja bem acolhido por toda a comunidade internacional, que seja respeitado e se torne um sinal de um tempo de paz para o mundo. Rezemos assim:

   Ó Deus de Paz, fonte de toda boa obra, Tu que diriges o destino das nações e governas o mundo com teu amor, nós colocamos sob teu olhar este novo tratado internacional, que regula o comércio de armas. Que ele ajude a humanidade a frear a violência e a guerra e diminuir o sofrimento de tantos. Que ele contribua para a paz e para a estabilidade mundial, que ele suscite a cooperação, a transparência e a ação responsável entre as nações. E assim, libertos de todo medo e ódio, possamos construir a confiança recíproca entre os povos, deixando-nos conduzir por teu Espírito, signo e força de paz ! Amém !

                                                     Com amizade,

                                     Dom Irineu Rezende Guimarães
                 Monge beneditino da Abadia Nossa Senhora, Tournay, França

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Carta Mensal - Maio de 2013

Tournay, 30 de abril de 2013.

A vocês todos que buscam a paz,
                        Paz!
Neste mês de maio, proponho como tema de nossa oração pela paz uma situação terrível e dolorosa, fonte de muito sofrimento : aquela das mulheres que sofrem violência sexual em situações de conflito. Se, mesmo em tempos de paz, as mulheres são submetidas a todo tipo de violência (as estimativas são de sete para cada dez mulheres !), esta situação agrava-se ainda mais em tempo de guerra.
Mulheres de todas as idades sofrem sistematicamente este tipo de violência nas mãos de forças militares e rebeldes. Na maior parte dos casos, a violência sexual faz parte de uma estratégia deliberada para humilhar os adversários e semear o pânico entre a população civil. Outras vezes, são justamente as pessoas encarregadas de sua proteção, os responsáveis por esta atrocidade.
A violência sexual como tática de guerra é uma prática que remonta há séculos e que é constatada onde um conflito se instaura. Calcula-se que entre 20.000 a 50.000 mulheres foram violadas durante o conflito na Bósnia, no começo dos anos 90 ; já, durante o genocídio de Ruanda, em 1994, as estimativas situam-se entre 250 mil a 500 mil mulheres ! Na Republica Democrática do Congo, desde que o conflito armado se instalou neste país, em 1998, mais de 200 mil mulheres sofreram violência sexual : calcula-se cerca de 1.100 a cada mês, 36 casos por dia !  A violência sexual também foi uma das características da guerra civil na Libéria, entre 1989 a 2003, assim como é largamente praticada no conflito armado na região de Darfour, no Sudão.
Esta situação se agrava ainda mais dado o muro de silêncio que é erguido : raramente escutam-se as vítimas, raramente julgam-se aqueles que cometeram esse crime horrendo. Governos e grupos militares ignoram e toleram tais práticas, considerando-as como normais.
Neste contexto, nossa oração torna-se um grito profético, denunciando aos céus esta injustiça do mundo dos homens : só haverá paz na terra quando as mulheres forem plenamente respeitadas em sua dignidade e não forem mais consideradas como soldo ou espólio de guerra.
Rezemos assim :
Ó Deus de ternura, tu que conheces o sofrimento do teu povo e escutas os seus clamores, atende nossas preces em favor das mulheres que sofrem violência sexual nas tantas guerras deste mundo. Que suas vozes sejam ouvidas, que elas recebam todo o apoio necessário para se recuperarem deste trauma. Que estes crimes sejam julgados e que as autoridades dêem a atenção necessária para erradicar esta prática. Assim, homens e mulheres viverão em igualdade e paz nesta terra que criastes para todos!  Amém.

Com amizade, na alegria do Espírito que se derrama generoso sobre nôs! 
D. Irineu Rezende Guimarães
monge beneditino da Abadia Nossa Senhora, Tournay, França 
P.S.: Ajude a fortalecer esta rede de oração para a paz, repassando esta carta a seus amigos.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Carta Mensal - Abril de 2013

Tournay, 31 de março de 2013.

A vocês todos que buscam a paz,
                        Paz!
No dia onze deste mês de abril, celebramos o quinquagésimo aniversário da publicação de um dos documentos que mais contribuíram para a paz mundial em nosso tempo. Trata-se da encíclica “Pacem in Terris” (Paz na Terra), do Papa João XXIII, que morreria pouco  menos de dois meses depois, a 3 de junho de 1963. Dirigida não somente à Igreja, mas também “a todas as pessoas de boa vontade” – fato inédito num documento papal até então –, a encíclica se propõe a refletir sobre “a paz de todos os povos na base da verdade, justiça, caridade e liberdade ». No seu primeiro parágrafo, deixa claro a sua proposta : “A paz na terra, anseio profundo de todos os homens de todos os tempos, não se pode estabelecer nem consolidar senão no pleno respeito da ordem instituída por Deus” (§ 1). E no seu desenvolvimento, mostrará que esta ordem querida por Deus (§ 1-7) deve se manifestar no respeito dos direitos e deveres humanos (§ 8-45), por uma relação democrática entre os cidadãos de uma mesma nação (§ 46-79), por relações de cooperação e de dialogo entre as nações (§ 80-128) e pela participaçao de todos em vista de uma convivência unitária de alcance mundial (§ 129-144).

No contexto da época, no auge da guerra fria e da ameaça de uma guerra atômica entre Estados Unidos e União Soviética, “Pacem in Terris” deu uma importante contribuição para a paz, contribuindo para a superação do impasse criado. O Papa chamou a humanidade à consciência ao afirmar “que as eventuais controvérsias entre os povos devem ser dirimidas com negociações e não com armas” (§ 125). João XXIII proclamou claramente que “não é mais possível pensar que nesta nossa era atômica a guerra seja um meio apto para ressarcir direitos violados” (§ 126). E não hesitou em denunciar os perigos da corrida armamentista e da doutrina da dissuasão nuclear: “o resultado é que os povos vivem em terror permanente, como sob a ameaça de uma tempestade que pode rebentar a cada momento em avassaladora destruição. Já que as armas existem e, se parece difícil que haja pessoas capazes de assumir a responsabilidade das mortes e incomensuráveis destruições que a guerra provocaria, não é impossível que um fato imprevisível e incontrolável possa inesperadamente atear esse incêndio” (§ 111).

“Pacem in Terris” deve ser també compreendida como o testamento espiritual deste papa admirável à Igreja, contribuindo para colocar a paz no centro da consciência cristã, como responsabilidade de cada batizado e da Igreja em seu todo (§ 145-171). Rezemos, particularmente, nesta intenção, para que a paz esteja não somente no centro das preocupações dos papas e dos documentos da Igreja, mas de cada cristão e de cada homem de boa vontade. E o façamos com as próprias palavras de João XXIII:

Senhor Jesus Cristo Ressuscitado, que dissestes aos teus discípulos: "Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo dá" (Jo 14,27), afasta dos corações dos homens tudo quanto pode pôr em perigo a paz, transformando a todos em testemunhas da verdade, da justiça e do amor fraterno. Ilumina com tua luz a mente dos responsáveis dos povos, para que, junto com o justo bem-estar dos próprios concidadãos, lhes garantam o belíssimo dom da paz. Inflama, Cristo, a vontade de todos os seres humanos para abaterem barreiras que dividem, para corroborarem os vínculos da caridade mútua, para compreenderem os outros, para perdoarem aos que lhes tiverem feito injúrias. Sob a inspiração da tua graça, tornem-se todos os povos irmãos e floresça neles e reine para sempre essa tão suspirada paz (Cf. § 169-170). Amém.

Com amizade, ainda na alegria da Páscoa!

D. Irineu Rezende Guimarães
monge beneditino da Abadia Nossa Senhora, Tournay, França

terça-feira, 12 de março de 2013

Carta Mensal - Março de 2013


Tournay, 28 de fevereiro de 2013.

A vocês todos EM BUSCA DA PAZ,

                        Paz!

O massacre na escola Sandy Hook, em Newtown, Connecticut, em 14 de dezembro de 2012, com a morte de 26 pessoas – 20 crianças com idades entre 6 e 7 anos e seis adultos –, abalou os Estados Unidos e reabriu o debate sobre o controle de armas. Desde o final da década de 90, a sociedade civil tem-se articulado mundialmente  para prevenir a proliferação e utilização de armas pequenas, através da Rede de Ação Internacional Sobre Armas Pequenas (IANSA), que não tem medido esforços para organizar um tratado mundial de controle deste tipo de armas. Trata-se de um tema que suscita muitas discussões e que, por isso, pede a força de nossa oração, para que as consciências se iluminem.

As armas de fogo pequenas e leves – tais  como revólveres, pistolas, carabinas, rifles, etc – são responsáveis pela morte de 600 mil pessoas, a cada ano no mundo. Segundo o Small Arms Survey, de Genebra, em cerca de 639 milhões de armas pequenas em circulação em 110 países, 37,8% pertencem às Forças Armadas, 2,8% às polícias, e os restantes 59,2% nas mãos da população civil.
Ao contrário das drogas, que são produzidas e comercializadas ilegalmente, as armas possuem uma origem legal, mas em determinado momento, tornam-se ilegais. Assim o controle da oferta do mercado legal possibilitará um maior controle do comércio ilegal. Daí a necessidade de combate ao contrabando e vigilância sobre produção, venda, exportação e importação, para evitar desvios O gerenciamento de informações, no interior de cada país, mas também entre nações, será importante para controlar estas armas. Acordos regionais e internacionais, têm obtido sucesso na redução de armas de fogo em circulação.

 Um outro ponto é o controle da procura. Medidas de limitação da compra de armas e campanhas de conscientizaçao do publico sobre os perigos das armas, serão importantes para efetivar este aspecto. Países como Brasil, Japão, Grã-Bretanha, Canadá, Austrália e África do Sul implementaram leis rígidas de controle de armas. Em alguns países, entretanto, as armas de fogo são tratadas como um produto qualquer, sem exigir maiores cuidados e controles. Segundo estudos do Viva Rio, o risco de homicídio por arma de fogo em casas com algum tipo de armamento é sete vezes maior do que em residências cujos moradores não têm nenhuma arma.

O controle dos estoques e a destruição dos excedentes, com programas de entrega voluntária constituem um terceiro ponto da agenda.

Para que estas propostas sejam concretizadas, rezemos assim:

Ó Deus, promessa de paz, teu filho Jesus, no momento de sua prisão, ordenou a Pedro de guardar sua arma, lembrando que aqueles que usam armas pelas armas morrerão.  Inspira os povos e nações para adotarem politicas de controle de armas. Assim, a humanidade poderá cantar com o salmista: há aqueles que pôem sua confiança nas armas, « nós porem invocamos o nome do Senhor » (Sl 20,8). Assim seja!

 Com amizade,D. Irineu Rezende Guimarães

monge beneditino da Abadia Nossa Senhora, Tournay, França

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Carta Mensal - Fevereiro de 2013


Tournay, 28 de janeiro de 2013.

A vocês todos EM BUSCA DA PAZ,

                        Paz!

No dia 12 de fevereiro próximo, será celebrada a Jornada Mundial pelas Crianças Soldado, lembrando o aniversário da entrada em vigor, em de fevereiro de 2002, do Protocolo Facultativo à Convenção dos Direitos da Criança, ratificado por cerca de 130 países, proibindo o recrutamento forçado e a utilisação de menores de  18 anos em conflitos armados.

  Entretanto, existem ainda cerca de 250 mil crianças associadas às forças e aos grupos armados, atuando como soldados, cozinheiros, mensageiros ou mesmo para fins sexuais, seja em grupos armados, mas também em exércitos governamentais. Mais de cinquenta organizações continuam a recrutar crianças-soldado nos seguintes países: Afeganistão, Chade, Colômbia, Filipinas, Iêmen, Índia, Iraque, Israel e territórios ocupados, Nepal, Paquistão, Republica Centro-Africana, Republica Democrática  do Congo,  Sri-Lanka, Somália, Sudão, Uganda e Tailândia. Muitos deles são recrutados contra sua vontade e não podem mais deixar suas   unidades. A maioria deles tem idade entre 15 a 18 anos, mas  há casos de recrutamento de crianças de 9 anos.

As mobilizações em curso propõem :

a)      A proibição de qualquer tipo de recrutamento de menores de 18 anos em forças armadas, mesmo voluntário, não importando a função, ainda que não portem armas;

b)      A proibição de qualquer tipo de propaganda de recrutamento militar de menores de 18 anos;

c)      A liberação de menores de exércitos e grupos armados, os quais devem ser apoiados pela sociedade civil;

d)     A penalização de estados, grupos armados e indivíduos que recrutam menores de 18 anos, por uma Corte Penal, nacional ou internacional; e a adoção de sanções (econômicas, bloqueio de contas, etc.) pela comunidade internacional e pelo Conselho de Segurança da ONU;

e)      Proteção, assistência e apoio para esses menores, com direito a um tratamento médico e psicológico, além de acesso ao sistema educativo e professional;

f)       Concessão de asilo politico aos refugiados ;

g)      Aumento dos fundos para os programas de prevenção e de reintegração ; 

h)      Bloqueio da exportação de armas às regiões de conflito conhecidas pela existência de crianças-soldado.  

Para que estas propostas sejam concretizadas, rezemos assim:

Ó Deus, mãe dos pequeninos, dirige o teu olhar de compaixão e ternura para as crianças a quem o mundo roubou a infância e as utilisa como soldados. Vem logo em nosso socorro! Ensina-nos a acolher os pequeninos, como fez teu filho Jesus, e a respeitar e promover seus direitos. Assim nossa terra viverá em paz e da boca dos peaueninos brotará um canto de louvor a teu nome! (Cf. Sl 8,3). Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Com amizade,
D. Irineu Rezende Guimarães
monge beneditino, prior da Abadia Nossa Senhora, Tournay, França