sábado, 4 de agosto de 2012

Carta Mensal - Agosto de 2012

Tournay, 25 de julho de 2012.
            A vocês todos EM BUSCA DA PAZ,
                        Paz!
            Neste mês de agosto, celebramos o triste aniversário das bomba atômicas de Hiroshima (06/08/1945) e Nagasaki (09/08/1945), quando morreram 210 mil pessoas, ou pela explosão ou em consequência das radiações, civis em grande parte. Contudo, a tragédia de Hiroshima e Nagasaki, longe de significar o fim das armas atômicas, fez a humanidade mergulhar numa terrível e atroz corrida pelo nuclear. Hoje, ainda, com os vários tratados existentes, ainda restam cerca de vinte mil bombas, o equivalente a 600 mil bombas como aquelas de Hiroshima e Nagasaki! Destas, cerca de 1.800 ogivas estão em estado de alerta, prontas para serem acionadas!
            Assim, para que a humanidade não repita o horror e o sofrimento causados pelas armas atômicas, convido vocês a rezar pelo desarmamento nuclear total, condição essencial de uma paz verdadeira. Assim nos unimos às diversas manifestações mundiais nesta ocasião e somamos força à  Campanha Internacional para Abolição de Armas Nucleares (http://www.icanw.org). Eis alguns argumentos utilizados nesta luta e que podem sustentar nossa oração:
            Em primeiro lugar, ar armas nucleares não discriminam entre civis e militares, podendo uma única bomba, em um só golpe, devastar uma cidade ou até mesmo uma nação. Elas são particularmente perigosas, dada a possibilidade de serem disparadas acidentalmente, devido a erro técnico ou humano.  A posse de armas nucleares por alguns países é um estímulo constante para que outros também procedam a esforços para possuí-las, como o ocorrido, por exemplo, com as duas Coreias, que viram na presença de armas nucleares americanas uma razão para se lançarem no nuclear. As armas nucleares constituem uma ameaça constante de aniquilação do planeta, de contaminação radioativa e de inverno nuclear, além de intensificarem a desconfiança entre as nações, gerando um clima de tensão e medo. De forma alguma, as armas nucleares garantem a paz!
            As armas nucleares são caras e absorvem enormes recursos econômico, que poderiam ser aplicados em outras áreas, como saúde e educação. Somente o gasto anual dos Estados Unidos em armas nucleares, cerca de 40 bilhões de dólares, seria o suficiente para manter o acesso universal a educação básica, cuidado médico básico, alimentação, água potável e saneamento. Em nível de segurança pública, as armas nucleares são inúteis, não podendo serem usadas contra grupos terroristas, crime organizado, ou traficantes de drogas, nem tampouco num campo de batalha.
            Negociações e tratados de outros sistemas de armas, como armas químicas, armas biológicas e minas terrestres, mostram como a eliminação das armas restantes é fisicamente e praticamente realizável.  Para que isto se concretize, rezemos assim:
            Ó Deus de ternura, tu criaste o homem e a mulher para que conduzissem a criação pelos caminhos da vida e do crescimento. Contudo, a humanidade afastou-se deste caminho e passou a conceber armas terríveis, de mais em mais. Que o Espírito do teu Filho Jesus, príncipe da paz, ele que desarmou Pedro, inspire governantes e nações a se colocarem de acordo para a eliminação das armas atômicas. Assim, este perigo terrível se afastará de todos nós e poderemos investir nossas energias e riquezas na satisfação das reais necessidades humanas e na criação de um clima de confiança entre os povos. Por Cristo, teu Filho e nosso Senhor!
            Hiroshima e Nagasaki nunca mais!
            Com amizade, 
D. Irineu Rezende Guimarães, O. S. B.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Carta Mensal - Julho de 2012

Tournay, 15 de junho de 2012.

            A vocês todos EM BUSCA DA PAZ,
                        Paz!
            Neste mês de julho, convido vocês a meditar o tema “pão e paz”, rezando por todas pessoas que passam fome, cerca de um bilhão de pessoas em todo o mundo. Os dados são mais que conhecidos: a cada cinco segundos, uma criança de menos de dez anos morre de fome e cerca de 37 mil pessoas vão seguir o mesmo destino, todos os dias. Segundo dados da FAO, Organização para a Alimentação e Agricultura, das Nações Unidas, o atual estágio das forças de produção tem condições de alimentar 12 bilhões de seres humanos, com 2.200 calorias diárias! Se somos, atualmente, no mundo, 7 bilhões, por que então a fome?
            Em primeiro lugar, por causa de um modelo econômico onde uma dezena de sociedades privadas controlam 85% do mercado alimentar mundial, fixando os preços e controlando os estoques. Os pobres não conseguem mais comprar seus alimentos e os programas alimentares perderam a metade do seu orçamento. Tudo isso, somado com o endividamento de numerosos países pobres, impedidos, por esta razão, de fazer os investimentos necessários ao seu desenvolvimento. A mundialização também tem seu efeito nefasto, aniquilando, em muitos países, as pequenas economias locais. Por trás do modelo econômico, há também opções políticas e sociais, como a preferência em investir em armas. Com as despesa militares mundiais de 2010, seria possível manter 212 milhões de crianças, ao custo médio de US$ 4.715,00 por ano! O dinheiro gasto para financiar um minuto da guerra no Iraque seria suficiente para suprir três refeições por dia para mais de 415 mil crianças! Gastamos cerca de 190 vezes mais dinheiro em armas do que no combate à crise de alimentos!
            O que a nossa fé nos diz de tudo isso?
            Os profetas de Israel, cerca de 700 anos antes de Cristo já tinham bem compreendido esta relação existente entre pão e paz. Sem pão, não há paz! O pão é o sinal evidente de relações sociais justas e fraternas! A paz é fruto da justiça (Is 32,17). O salmista canta esta paz que vem do pão partilhado: “graças à justiça, que montanhas e colinas tragam a paz para o povo” (Sl 72,3). Sem paz, não há pão! Enquanto a humanidade investe suas energias na guerra e em armamentos, ela não pode aplicar em outras necessidades, como a alimentação, a saúde, a educação! Os profetas Isaías e Miqueias, cerca de 700 anos de Cristo, propunham transformar as espadas em arados e as lanças em foices (Is 2,4-5; Mi 5,9).
            O Cristo veio entre nós como “pão da vida” (Jo 6,35) para “guiar nossos passos no caminho da paz” (Lc 1,79). Ele multiplicou o pão (Jo 6,1-15) e nos deixou a paz (Jo 14,27). Os cristãos são chamado a continuar a obra que o Senhor começou, a trabalhar e lutar por uma sociedade de pão e paz.
            Rezemos assim:
            Pai Nosso, teu povo passa fome! Tu que sacias teu povo e o abençoa com tua paz, ilumina a consciência da humanidade para que os povos sejam desarmados e os famintos alimentados. Inspira-nos a mudar nossos modos de vida e corrigir os modelos de crescimento que parecem incapazes de garantir o respeito pelo meio ambiente, um desenvolvimento humano integral e a paz entre as nações. Que nós possamos dar aos pobres do mundo, comida e não bombas. Assim cumpriremos a lei do Cristo, teu filho e nosso Senhor!
            Com amizade,
D. Irineu Rezende Guimarães, O. S. B.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Carta Mensal - Junho de 2012


Tournay, 15 de maio de 2012.

            A vocês todos EM BUSCA DA PAZ,
                        Paz!
            Uma das coisas que mais me chama a atenção, aqui na Europa, é a total reconciliação que se produziu entre franceses e alemães.  Dois países que, por mais de setenta anos, se afrontaram em três grandes guerras (a de 1870, quando os alemães anexaram as regiões entre França e Alemanha, Alsácia e Lorena; a de 1914-1918, vencida pelos franceses com condições humilhantes para os alemães; a de 1940-1945, que culminou na derrota do nazismo) e que por muito tempo nutriram ódios profundos entre eles, são capazes hoje de viver fraternalmente, sem nenhum ressentimento, nem rancor, cimentando a unidade europeia. Nada, absolutamente nada, hoje, nos faz imaginar que estes dois países nutriam mutuamente uma rivalidade mortal.
            Várias pessoas e entidades trabalharam para que isto acontecesse. Entre os homens de Estado se destacam: o alemão Konrad Adenauer (1876-1967) e  o francês Robert Schuman (1886-1963), considerados hoje como “pais da Europa Unida”, dados o empenho e a firmeza com que se dedicaram a esta obra. Num plano mais espiritual, devemos lembrar o padre alemão Franz Stock (1904-1948), pároco da Paróquia alemã de Paris a partir de 1933; durante a ocupação foi capelão das prisões; após a guerra, reitor do seminário dos prisioneiros alemães. Morreu de esgotamento como apóstolo da reconciliação e paz. Importante atuação também exerceu o movimento católico “Pax Christi”, fundado em 1945, com o nome de Movimento para a Reconciliação franco-alemã, por iniciativa de Mgr. Pierre-Marie Théas, na época bispo de Montauban, França, e por uma professora francesa, Marthe Dortel-Claudot: tendo se posicionado claramente durante a ocupação nazista contra deportação de judeus, Mgr. Théas assume, durante a libertação, ele prega o amor e a reconciliação com os antigos inimigos.
            Este exemplo da França e da Alemanha nos faz acreditar na possibilidade de transcender os conflitos e de efetivar uma profunda reconciliação, ultrapassando os preconceitos, os ódios, os ressentimentos, os rancores e as divisões. Sobretudo, isto nos faz acreditar mais do que nunca na paz; que ela é possível e não é uma quimera quando se trabalha seriamente por ela, em todas sua dimensões: políticas, sociais, econômicas, culturais, espirituais, religiosas, etc.
            Tendo frente a nós este belo testemunho,  convido vocês a rezarem este mês pela reconciliação entre povos e nações no mundo. Sobretudo, alguns conflitos que parecem se perpetuar à causa da ausência de uma perspectiva de conjunto para sua solução. Pensemos, entre outros: no conflitos entre israelenses e palestinos; nos conflitos entre tribos na África; nos conflitos entre facções no interior de vários países; nos conflitos e rivalidades entre duas ou mais nações que se consideram inimigas. Rezemos especialmente por todas pessoas e grupos que trabalham para superar estes ódios, frequentemente considerados como ingênuos e sonhadores e, muitas vezes, como traidores do seu grupo ou do seu povo.
            Colocando nos mais profundo dos nosso ser todas estas situações de divisão, rezemos assim:
Ó Deus de toda paz, tu enviaste o Cristo, nossa paz, para derrubar o muro de separação existente entre os povos e fazer de toda a humanidade um só povo, fazendo morrer o ódio (Cf. Ef 2,14-15), nós te pedimos por todas as pessoas e grupos que se aplicam a trabalhar pela reconciliação e superar as mais diversas situações de conflito: que não se deixem tomar pelo desânimos, que resistam à críticas e perseguições, que tenham inventividade para propor novos caminhos. Sobretudo, para que sejam animados profundamente do Espírito de Unidade, este Espírito que reúne no Cristo a diversidade de culturas e visões. Por Cristo, Senhor nosso.

            Com amizade,

D. Irineu Rezende Guimarães, O. S. B.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Carta Mensal - Maio de 2012


Tournay, 30 de abril de 2012.

            Queridos amigos e amigas EM BUSCA DA PAZ,
                        Paz!
            No dia 15 de maio, muitos grupos e organizações pacifistas celebram o Dia Mundial da Objeção de Consciência. Em geral, a objeção de consciência se aplica ao serviço militar ou à participação em guerras, mas pode ser aplicada a outros casos, como, por exemplo, como Martin Luther King que se recusou a obedecer as leis que segregavam os negros americanos. A objeção de consciência é um direito que as pessoas possuem de recusar “em consciência a seguir as prescrições das autoridades civis se forem contrárias às exigências da ordem moral, aos direitos fundamentais das pessoas ou aos ensinamentos do Evangelho” (Cf. Catecismo da Igreja Católica, 2242). Leis injustas colocam as pessoas diante de problemas dramáticos de consciência: quando são chamados a colaborar em ações moralmente más, têm a obrigação de recusar. Além de ser um dever moral, a objeção de consciência é também um direito humano fundamental.
            O cristianismo muito contribuiu para o desenvolvimento deste princípios com sua visão de liberdade e consciência. No livro dos Atos dos Apóstolos, as autoridades religiosas proíbem aos apóstolos de anunciar o nome de Jesus Ressuscitado. Questionados porque não acatavam essa determinação, eles responderam: “Importa obedecer mais a Deus do que aos homens” (At 4,19).
            O desenrolar da história da Igreja oferece muitos exemplos de objetores de consciência. O padroeiro dos objetores é São Maximiliano, martirizado em 295, em Teveste, África do Norte, com a idade de 21 anos, por causa de sua recusa em fazer o serviço militar. Durante o processo, ele afirmou: “Eu não posso servir, eu não posso fazer mal, pois eu sou cristão”. E acrescentou: “Eu sirvo ao Cristo, pois ele é o príncipe da vida, o autor da salvação”. Lactâncio (+325), escritor cristão também da África do Norte, afirmava o absoluto da ordem divina de não matar: “Quando Deus proíbe de matar, ele não proíbe somente o assalto, ilícito mesmo para as leis do Estado, mas ele nos convida mesmo a não fazer os que os homens tem por lícito. É por isso que o justo não pode ser soldado, pois o serviço militar do justo é a justiça mesma” (Cf. Instituições Divinas, VI,20,15). De exemplos recentes, temos o testemunho de Franz Jägerstätter, beatificado em 2007. Pai de três filhas, ele se recusou a servir o exército nazista por razões de sua fé cristã. Preso, foi condenado à morte e decapitado em 9 de agosto de 1943: ele é um dos testemunhos contemporâneos desta força da consciência.
            Fora dos círculos cristãos, temos muitos exemplos de objetores de consciência que se recusam a fazer o serviço militar, arcando com a prisão a consequência de suas decisões. Também é conhecido o movimento Yesh Gvul (“Há um limite”), reunindo pessoas que recusam de servir ao exército israelense ou mesmo soldados que não aceitam participar de atos repressivos. Muitos oficiais israelenses foram presos porque não aceitaram participar de ações militares repressivas.
No mês passado, rezamos pelo desarmamento: nenhum centavo para a guerra! Este mês rezamos pelos objetores: nenhuma pessoa para a guera! Nesta intenção, rezemos assim:
“Ó Deus de toda paz, tu criaste o homem e a mulher à tua imagem e semelhança: no santuário da consciência de cada pessoa humana, tu te fazes presente e tu nos conduzes a seguir na trilha dos teus mandamentos. Nós te pedimos por todos aqueles que, fiéis à teu mandamento de “não matar”, recusam à colaborar com toda violência, sendo por isto sancionados pela sociedade. Que eles permaneçam firmes na fidelidade às tuas leis. Que a força desta profecia inspire a humanidade a concretizar a visão do profeta Isaías: “Ninguém mais será treinado para a guerra!” (Cf. Is 2,4). Por Cristo, Senhor nosso.”


            Com amizade,

D. Irineu Rezende Guimarães, O. S. B.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Carta Mensal - Abril de 2012


Tournay, 31 de março de 2012.

            Queridos amigos e amigas EM BUSCA DA PAZ,
                        Paz!
O Presidente dos Estados Unidos, prêmio Nobel da paz 2009, chamou a atenção do mundo inteiro ao anunciar, no dia 5 de janeiro p. p., a retirada dos exércitos americanos do Iraque e a redução do orçamento militar do seu país, com um corte de 450 bilhões de dólares para os próximos dez anos.
Na verdade, a redução dos gastos militares tem sido um grande clamor mundial diante do crescimento deste índice. Este ano, o dia 17 de abril foi escolhido como “Dia Mundial de Ação Contra Gastos Militares”. Assim convido a vocês a rezar pela redução dos orçamentos militares, para que se concretize a profecia de Isaías, “as espadas serão transformadas em arados e as lanças em foices” (Is 2,4).
Segundo os dados do SIPRI, Instituto Internacional de Estocolmo para Pesquisas de Paz, em 2010, os orçamentos militares e despesas com armamentos foram de cerca U$ 1.681.000.000.000,00! Em números absolutos, os Estados Unidos ocupam o primeiro lugar, com despesas de 1.464 bilhões de dólares anuais, correspondendo a 41,5% do orçamento mundial. Segue a China, com 84,9 bilhões de dólares e 5,8% das despesas mundiais. Em terceiro lugar, a França com 65,7 bilhões de dólares e 4,5% das despesas do mundo. Em quarto lugar, o Reino Unido (65,3 bilhões e 4,5%); em quinto, a Rússia (58,6 bilhões e 4%). O Brasil ocupa a 13a posição, com despesas anuais de 25,3 bilhões de dólares e 2% dos gastos mundiais.
Numa lista de 172 países (www.indexmundi.com/g/r.aspx?v=132&1=pt), comparando a relação entre o orçamento militar e porcentagem do PIB, os dez primeiros são Omã (11,4), Catar (10,0), Arábia Saudita (10,0), Iraque (8,6), Jordânia (8,9), Israel (7,3), Iêmen (6,6), Eritreia (6,3), Macedônia (6,0) e Síria (5,9). Em último lugar está a Islândia, com 0% de gastos! Os Estados Unidos ocupam a 24a posição (4,0%); a França, a 55a posição (2,6) e o Brasil a 89a posição, com 1,7%.
A cada dólar investido no social, o mundo gasta dois mil dólares em armas, numa desproporção não somente escandalosa, como aviltante. Segundo especialistas, os investimentos de apenas dois meses em gastos militares seria necessários para atender as necessidades básicas de saúde e educação de todo o mundo. Por que gastamos tanto dinheiro em armas? Porque áreas essenciais como educação e saúde são relegadas em detrimento de um investimento militar?
Assim tocamos num dos aspectos mais complexos nos debates da paz, sua dimensão político-econômica. Considerando a crise que ameaça o planeta nas suas diversas dimensões (econômica, ecológica, sanitária, etc.), faz-se necessário assegurar a destinação dos meios financeiros para as necessidades humanas, como a alimentação e não o desenvolvimento do complexo militar-industrial. Já são várias as organizações que apoiam este ponto de vista. Mas a redução dos orçamentos militares não se fará se não houver uma pressão internacional visível e exigente. Asseguremos com nossa prece este movimento, rezando assim:
“Vinde ver, contemplai os prodígios de Deus e a obra estupenda que fez no universo: reprime as guerras na face da terra, ele quebra os arcos, as lanças destrói, e queima no fogo os escudos e as armas” (Sl 45,9-10). Ó Deus de paz, manifesta tua força entre nós e concretiza esta prece do salmista. Inspira a humanidade a reduzir seus gastos com armas e a investir mais nas necessidades de todos os seres humanos, teus filhos amados, criados à tua imagem e semelhança. Por Cristo, Senhor nosso.
            Com amizade e os votos de uma santa e feliz Páscoa da Ressurreição,
D. Irineu Rezende Guimarães, O. S. B.

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Pe.Irineu, Tournay, 31 de marzo de 2012
            Queridos amigos y amigas EM BUSCA DA PAZ,            
                          Paz!
El Presidente de los Estados Unidos, premio Nobel de la paz 2009, ha llamado la  atención del mundo entero al anunciar, el dia 5 de enero pasado la retirada de los ejercitos americanos de Iraque y la reducción del presupuesto  militar de su pais, con um recorte de 450 mil millones  de dólares para  los proximos diez años.
En verdade, la reducción de los gastos militares ha sido un gran clamor mundial frente al crecimento de este indicador. En este año, el dia 17 de abril há sido escojido  como  “Dia Mundial de Acción Contra Gastos Militares”. Asi los invito  a rezar por la reducción de los presupuestos  militares, para que se concretizce la profecia de Isaías, “las espadas serán transformadas en arados y las lanzas  em hoces” (Is 2,4).
Segun  datos del SIPRI, Instituto Internacional de Estocolmo para Investigaciones de Paz, en 2010, los presupuestos  militares y gastos con armamentos fueron de aproximadamente U$ 1.681.000.000.000,00! En números absolutos, los Estados Unidos ocupan el primer puesto, con gastos de 1.464 mil millones  de dolares anuales,  que coresponden al 41,5% do presupuesto  mundial. Sigue  China, con 84,9 mil millones de dolares y 5,8% de los gastos mundiales. En tercer puesto,  Francia con 65,7 mil millones  de dolares y 4,5% de los gastos  del mundo. En cuarto puesto  Reino Unido (65,3 mil millones  y 4,5%); en quinto, Rússia (58,6 mil millones y el  4%). Brasil ocupa la 13aposición, con gastos  anuales de 25,3 mil millones de dolares y el  2% de los gastos mundiales.
En um listado de  172 países (www.indexmundi.com/g/r.aspx?v=132&1=pt),  y    comparando la relación entre el presupuesto militar y porcentage del PIB, los diez primeiros son Oman (11,4), Quatar (10,0), Arabia Saudita (10,0), Iraque (8,6), Jordania (8,9), Israel (7,3), Iemen (6,6), Eritrea (6,3), Macedonia (6,0) y Síria (5,9). En  último puesto esta Islandia, con 0% de gastos! Los Estados Unidos ocupan  la 24aposição (4,0%);  Francia, la 55aposição (2,6) y Brasil la 89aposição, con 1,7%.
Por cada dolar invertido em lo social, el mundo gasta dos mil dolares en armas, en una desproporción no solamente escandalosa, cómo vil. Según especialistas, las inversiones de apenas dos meses en gastos militares serian necesarias (suficientes) para atender  las necesidades basicas en salud y educación de todo el mundo. Por que gastamos tanto dinero en armas? Porque areas essenciales cómo educación y salud son  relegadas en función de una inversión militar?
Asi tocamos em uno de los aspectos mas complejos enlos debates de paz, su dimensión político-economica. Considerando la crisis que ameaza el planeta en sus diversas dimensiones (econômica, ecologica, sanitaria, etc.), se hace  necesario asegurar la destinación de los medios financieros para las necesidades humanas, como alimentación y no  em el desarrollo del aparato militar-industrial. Existen ya varias organizaciones que apoyan este punto de vista. Sin embargo la redución de los presupestos  militares no se hará si no hubiese  una presión internacional visible y exigente. Aseguremos con nuestra oración este movimento, rezando asi:
Ven a ver, contemple  los prodígios de Dios y  la obra estupenda que realizo em el  universo: reprime las guerras em la faz de la tierra, él quiebra los arcos, las lanzas destruye, y quema  em el fugo os escudos y  las armas” (Sl 45,9-10). Oh Dios de paz, manifiesta tu fuerza entre nosotros y concretiza esta plegaria  del salmista. Inspira  la humanidad a reducir sus gastos con armas e a invertir más em las necesidades de todos los seres humanos, tus hijos amados, creados a tu imagem y semejança. Por Cristo, Señor nuestro.

Con amistad y los deseos  de una santa y feliz Pascua de la Resurrección,


                                                   D. Irineu Rezende Guimarães, O. S. B.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Carta Mensal - Março de 2012


Tournay, 10 de fevereiro de 2011.

            Queridos amigos e amigas EM BUSCA DA PAZ,
                        Paz!
Continuemos a aprofundar o tema escolhido pelo Papa Bento XVI para a 45a Jornada Mundial da Paz, “Educar os jovens para a paz e a justiça”. A simples enunciação nos faz colocar a questão: quem educará os jovens para a paz e a justiça? Assim, convido vocês a rezar para que Deus suscite profundos e autênticos “educadores de paz para a juventude”.
O Papa mesmo coloca esta questão no belo texto que escreveu, quando discorre sobre “Os responsáveis da educação”. Eles começa sua reflexão por descrever os educadores, dizendo claramente que “não bastam meros dispensadores de regras e informações; são necessárias testemunhas autênticas, ou seja, testemunhas que saibam ver mais longe do que os outros, porque a sua vida abraça espaços mais amplos. A testemunha é alguém que vive, primeiro, o caminho que propõe” (n. 2).
O Papa insiste, em primeiro lugar, sobre o papel das famílias na educação para a paz: “esta é a primeira escola onde se educa para a justiça e a paz” (n. 2). E após descrever os diversos obstáculos que as família encontram, sejam de ordem econômica, social, cultural, entre outros, o Papa proclama esta exortação aos pais: “Queria aqui dizer aos pais para não desanimarem! Com o exemplo da sua vida, induzam os filhos a colocar a esperança antes de tudo em Deus, o único de quem surgem justiça e paz autênticas”.
O Papa também se dirige aos responsáveis das instituições com tarefas educativas. A eles o pedido de Bento XVI vai em duas linhas. A primeira, para que a educação respeite e valorize, em todas as circunstâncias, a dignidade de cada pessoa. A segunda, para que a educação seja “lugar de abertura ao transcendente e aos outros; lugar de diálogo, coesão e escuta, onde o jovem se sinta valorizado nas suas capacidades e riquezas interiores e aprenda a apreciar os irmãos. Possa ensinar a saborear a alegria que deriva de viver dia após dia a caridade e a compaixão para com o próximo e de participar ativamente na construção duma sociedade mais humana e fraterna”.
Em outros espaços, defini certa vez o educador para a paz por três características. A primeira, na linha de que o Papa dizia acima, é a primazia do vivido sobre o enunciado: o educador para a paz é aquele que é paz, mais do que diz sobre paz, numa unidade entre meios e fins. Afinal, “não existe caminho para a paz, a paz somente é o caminho”, de forma que os fins jamais justificam os meios; pelo contrário, os meios são embriões dos fins e os fins estão embutidos nos meios! A segunda característica é sua capacidade de trabalhar comunitariamente, de fazer ressoar nos outros o entusiasmo pela causa da paz: a construção da paz se apoia sobretudo nos vínculos que criamos uns com os outros. Finalmente, a terceira característica, o educador para a paz é aquele que se insere no grande movimento pela paz, participando ativamente de uma ou mais de suas áreas de atuação: cultura de paz, direitos humanos, resolução de conflitos, desarmamento e segurança humana.
Vislumbrando, então, estes caminhos, convido vocês a rezar assim:
Ó Deus de ternura, teu filho Jesus nos enviou a anunciar a paz para todas as casas (Cf. Lc 10,5). E também nos pediu para suplicar a ti para enviar operários para o teu Reino (Cf. Lc 10,2). Assim nós te pedimos por todos os educadores, sejam pais, sejam profissionais da educação, para que sejam instrumentos de paz junto à juventude. Agindo sem violência, ensinem aos jovens que a violência nada pode construir de estável e, oportunizando vivências de paz, apontem caminhos de construção de uma vida e de uma sociedade de justiça e paz. Por Cristo, Senhor nosso.

            Com amizade,
D. Irineu Rezende Guimarães, O. S. B.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Carta Mensal de Fevereiro


Tournay, 30 de janeiro de 2012.

            Queridos amigos e amigas EM BUSCA DA PAZ,
                        Paz!
No mês passado, convidei vocês a rezar, em comunhão com o Papa Bento XVI, o tema da 45a Jornada Mundial da Paz, “Educar os jovens para a paz e a justiça”. Este mês, e no próximo, penso que poderemos desdobrar este vasto tema, rezando por “espaços de educação para a paz para a juventude”.
Se queremos educar os jovens para a paz e a justiça, é preciso pensar os espaços e meios desta educação. Não podemos cair na tentação, sempre presente, de responsabilizar a própria juventude. Pelo contrário, precisamos fazer uma avaliação profunda de nossa sociedade e de nossa cultura, para viabilizarmos instrumentos de educação para a paz e a justiça para a juventude.
Em primeiro lugar, a própria escola. É hora, mais do que nunca, de pensarmos em uma escola para a paz. Devemos reconhecer que a escola cumpre um papel importante na socialização de crianças e jovens, pois é lá que eles passam uma boa parte do tempo. No entanto, se a escola cumpre várias metas, ela deixa muito a desejar no que diz respeito à uma educação para a paz. Esse tipo de formação é tão importante que não podemos deixar dependendo da boa vontade de alguns, mas deve ser incluído nas políticas de educação. Por que não pensar em uma escola, por exemplo, que ensine crianças e jovens a resolverem conflitos de forma não-violenta? Por que não sonharmos com uma escola que ensine crianças e jovens a lidar e trabalhar sua agressividade, canalizando-a de forma construtiva? Uma escola para a paz será aquela que oferece vivências de paz e de não-violência à seus sujeitos: mais do que nunca é tempo de acreditarmos que se uma escola oferece vivências de paz inesquecíveis, insubstituíveis e inesgotáveis, estas terão uma força de orientação muito grande na vida de crianças e jovens. Mas uma escola para a paz é também aquela que se estrutura de forma não-violenta. Como afirma o pensador francês Jean-Marie Muller, “a educação para a não-violência tem que começar pela não-violência da educação”. Esta escola da paz saberá também relacionar a paz com os saberes que transmite. Ou insistiremos ainda em dizer que a ciência é neutra, quando propomos problemas tipo “um canhão lança uma bala a um alvo à 300 metros, numa velocidade de 60 m/s, quanto tempo levará para atingir seu alvo”?
Também sabemos que a escola tem limites e que ela não é a única instância formativa de nossas crianças e jovens. Por isso, além de políticas públicas de educação formal para a paz, é preciso pensar na  educação para a paz que se realiza de modo informal. Aqui penso no papel dos meios de comunicação, mas também de outras instâncias como clubes, associações, sindicatos. Também a cidade, no seu todo, com seus outdoors e outros equipamentos, mas também na sua maneira de se organizar, enviam mensagens a todos nós no que diz respeito à violência, não-violência e paz, exercendo um verdadeiro papel pedagógico. Isto sem esquecer o que chamamos hoje de “novas tecnologias”, as quais exercem uma influência cada vez mais decisiva sobre crianças e jovens, influenciando suas orientações, valores, critérios de julgamento, etc.
Frente a tantos desafios, convido vocês a rezar assim:
Ó Deus de ternura,tua palavra é de paz: é a paz que tu anuncias, paz para o teu povo e yeus amigos (Cf. Sl 85,9). Nós te pedimos que as crianças e jovens de nosso tempo possam escutar esta tua mensagem e deixar que ela se desenvolva profundamente nas suas consciências. Que todos os espaços de educação da infância e da juventude – escola, meios de comunicação, novas tecnologias, associações etc. – ofereçam “visões de paz”, para que eles possam amadurecer guiados e estruturados por estes valores. Por Cristo, Senhor nosso.


            Com amizade,
D. Irineu Rezende Guimarães, O. S. B.